Oposição ameaça ir às ruas na Venezuela

A oposição venezuelana, que pressiona o presidente Hugo Chávez a convocar um referendo sobre sua permanência no poder, assegurou hoje que sua greve geral foi um sucesso, mas o governo disse que ela foi um fracasso, já que indústrias estratégicas continuaram trabalhando normalmente. Na capital, Caracas, as ruas estavam livres do usual trânsito caótico na região leste, reduto da oposição, onde muitas casas comerciais fecharam suas portas. Mas o centro da cidade e a região oeste continuavam agitados, com vendedores ambulantes e muitas lojas abertas."Essa greve é uma simples manobra política. Os outros que façam greve que eu continuarei trabalhando", disse o ambulante Jairo Benevides.Milhares de trabalhadores de empresas petrolíferas, empresários e consumidores ignoraram a greve geral convocada pela oposição. Os aeroportos também funcionaram normalmente, com exceção de alguns atrasos nos vôos.O governo e a oposição apresentaram hoje números totalmente opostos sobre a greve. Funcionários do governo disseram que 80% dos trabalhadores rejeitaram o protesto, enquanto que seus organizadores disseram ter conseguido paralisar 80% dos trabalhadores do país.Esta é a quarta greve geral organizada pela oposição contra Chávez em menos de um ano, desde que ele assumiu a Presidência em 1999. Não foram registrados incidentes e as imagens de TV mostraram um número reduzido de veículos nas principais vias de Caracas, mas maior do que nas greves anteriores. A oposição ameaçou manter a greve geral por prazo indefinido e convocar manifestações de rua por causa das supostas "ameaças" do governo.?Ações terroristas?O presidente da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Carlos Ortega, que tem mais de 1 milhão de filiados, denunciou hoje que líderes opositores foram ameaçados e cinco foram detidos "arbitrariamente". Sem dar detalhes, ele advertiu aos venezuelanos a preparar-se para tomar as ruas e enfrentar o que qualificou como "ações terroristas" do governo.A ameaça lembrou os incidentes de abril, quando uma greve geral e uma grande manifestação terminaram em um banho de sangue que levou a um frustrado golpe de Estado contra Chávez. Dezenove pessoas morreram então e mais de 300 ficaram feridas nos violentos choques.O comandante-geral da Guarda Nacional, general Eugenio Gutiérrez, confirmou hoje a detenção no estado de Táchira do membro do Conselho Legislativo regional, Johnson Delgado. Gutiérrez disse que Delgado foi preso após jogar pregos e tachinhas nas ruas na tentativa de impedir o trânsito em San Cristóbal, capital de Táchira.O vice-presidente, José Vicente Rangel, afirmou que o governo quer retornar à mesa de negociações com a oposição, suspensa por causa da greve geral. A mesa de diálogo foi inaugurada em 8 de novembro pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, para buscar uma saída eleitoral para a crise política na Venezuela.

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