Oposição amplia bancada na Câmara

Democratas seguem apenas com maioria no Senado e novos deputados da base governista têm posição ideológica mais à esquerda

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / CHICAGO, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h02

O presidente Barack Obama recebeu na madrugada de ontem a boa notícia de sua reeleição. Mas, junto, veio uma não tão positiva assim: ele terá de lidar com um Congresso ainda muito polarizado.

O novo Senado terá a maioria democrata ampliada e posição mais à esquerda, definida especialmente com a eleição de uma antiga aliada de Obama, a economista Elizabeth Warren, de Massachusetts, e de Tammy Baldwin, assumidamente gay, a primeira mulher eleita senadora por Wisconsin (mais informações nesta página). Na Câmara, republicanos mantiveram seu controle. Mas alguns dos ícones da direita radical, como a deputada Michelle Bachmann, ex-pré-candidata republicana à Casa Branca, penaram para serem reeleitos.

Ainda estão incertos os movimentos dentro do novo Congresso. A presidência da Câmara pelo republicano John Boehner estará, em princípio, ameaçada pelo retorno à Casa de Paul Ryan, companheiro de chapa de Mitt Romney. Ryan voltará com poder ampliado pela sua exposição nacional e, especialmente, aos maiores financiadores do partido. No Senado, o democrata Harry Reed tende a se manter presidente.

A rigor, a bancada democrata no Senado conquistou mais uma cadeira e agora terá 54 representantes. Com um novo independente, Angus King, do Maine, deve formar um bloco com 55 votos. Os republicanos perderam dois postos e somam agora 45.

Além da muito disputada vitória de Warren e de Baldwin, os democratas comemoraram a eleição de Joe Donnelly, de Indiana. Ele concorreu com o desastroso Richard Mourdock, republicano da direita radical que vencera nas primárias o veterano e moderado Richard Lugar chamou atenção por uma frase sobre o estupro. A gravidez resultante desse crime, segundo ele, deveria ser vista como "vontade de Deus".

Outra candidatura republicana ao Senado ceifada por uma frase infeliz sobre estupro foi a de Todd Akin, deputado federal de Missouri. Com a apuração ainda em andamento, ele reconheceu a reeleição da democrata Claire McCaskin. Durante sua campanha, Akin declarou que "estupros legítimos" raramente provocam gravidez porque "o corpo feminino tem mecanismos para expulsar a coisa toda". A liderança republicana o pressionou a renunciar, mas ele resistiu.

Os democratas ainda aplaudiram a eleição de seus dois candidatos mais afinados com o ideário esquerdista para as vagas a serem deixadas por senadores prontos para se aposentar. Tim Kaine, da Virgínia, entrará no lugar de Jim Webb, e Chris Murphy, de Connecticut, para a de Joe Liebermann. A ampliação da maioria democrata no Senado e seu perfil mais à esquerda (liberal, como se diz nos EUA) terá importância enorme nos próximos quatro anos, quando a Casa terá de aprovar os nomes a serem sugeridos por Obama para a Corte Suprema. Quatro dos ministros, com idade superior a 70 anos, podem ser substituídos.

Nesse período, o mais alto tribunal americano deve julgar casos polêmicos - de uma nova investida republicana contra a reforma da Saúde a questões sobre direito da mulher.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.