Oposição aponta mulher para presidir Parlamento paquistanês

Por indicação do partido de Benazir Bhutto, Fahmida Mirza pode ser a primeira líder a assumir o cargo

Agência Estado e Associated Press,

18 de março de 2008 | 13h38

O partido da ex-primeira-ministra oposicionista assassinada Benazir Bhutto nomeou nesta terça-feira, 18, uma pessoa próxima ao viúvo da ex-premiê para ser a primeira mulher presidente do Parlamento paquistanês. Fahmida Mirza, uma mulher de negócios e deputada em terceiro mandato, chefiará a câmara baixa caso a esperada aprovação de seu nome ocorra na votação parlamentar de quarta-feira.   O marido de Fahmida é amigo de longa data de Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir e agora líder do partido. Credita-se a Zardari a palavra final sobre as nomeações do partido. "Para mim não haverá algo como governo versus oposição. Como presidente, toda a Casa é igual aos meus olhos", disse Mirza nesta terça-feira.   Faisal Karim Kundi, que derrotou um adversário pró-Taleban no instável norte paquistanês para obter sua cadeira, foi nomeado pelo partido para o posto de vice-presidente do Parlamento.   O novo Parlamento do Paquistão,dominado por opositores do governo do presidente Pervez Musharraf, realizou sua primeira sessão nesta segunda-feira. Os oponentes do atual líder devem reduzir os poderes de Musharraf e rever as políticas apoiadas pelos Estados Unidos para combater a Al-Qaeda e o Taleban.   Em jogo estão o curso futuro e a estabilidade política da nação de 160 milhões de habitantes. O país, que possui a bomba nuclear, luta contra os problemas econômicos e também contra militantes islâmicos. As eleições no mês passado, em que os aliados de Musharraf foram derrotados, ilustraram a crescente insatisfação com o ex-general, que dominou a política paquistanesa durante oito anos de governo militar.   O Partido do Povo do Paquistão, de Zardari, conseguiu mais cadeiras nas eleições de 18 de fevereiro. A agremiação planeja formar uma coalizão com Sharif e um grupo menor de parlamentares da região noroeste, assolada pelos militantes.   O Parlamento apenas começará a legislar de fato após o novo governo assumir, no fim deste mês. Os partidos que devem liderar a Casa, porém, já definiram algumas prioridades que devem preocupar Musharraf e seus aliados ocidentais. O Partido do Povo informou que sua principal prioridade será buscar uma investigação das Nações Unidas para o atentado de 27 de dezembro que matou Benazir Bhutto. A ex-primeira-ministra foi o político mais importante morto na atual onda de violência no Paquistão.   Uma proposta da coalizão que pode gerar ainda mais conflitos é a de emendar a Constituição, de modo a tirar o poder de Musharraf dissolver as Assembléias e depor o primeiro-ministro. O Conselho Nacional de Segurança, presidido por Musharraf, também pode ter sua atuação restringida.   A coalizão também planeja restaurar os juízes afastados por Musharraf, quando este declarou estado de emergência, em novembro. Um dos juízes afastados, o então presidente da Suprema Corte, Iftikhar Mohammad Chaudhry, pode ser reconduzido ao cargo - o que geraria forte descontentamento em Musharraf e seus aliados.   Chaudhry poderia reabrir um processo questionando a legitimidade de Musharraf. O presidente afastou juízes quando a Suprema Corte se preparava para julgar se ele era ou não elegível para um segundo mandato de cinco anos. No fim, Musharraf obteve mais um mandato indireto do Parlamento, em outubro do ano passado.

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