Oposição aponta problemas em urnas na Venezuela

Em meio a um processo eleitoral considerado tranqüilo e com grande participação popular, o principal candidato oposicionista à presidência da Venezuela, Manuel Rosales, apontou a ocorrência de problemas com o sistema automatizado de votação em regiões nas quais ele é favorito. Segundo o candidato, que disputa neste domingo uma eleição decisiva com o presidente Hugo Chávez, a dúvida surgiu depois da suposta emissão de comprovantes de votação em branco, ou seja, sem detalhar o nome do candidato escolhido pelo eleitor. Na Venezuela, após a votação na urna eletrônica, é emitido um comprovante com o nome do candidato que recebeu o voto. Logo após a denúncia, Sandra Oblitas, do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), pediu que não haja "falsos alarmes durante a jornada eleitoral" e reiterou que "o sistema está amplamente auditado e que não existe a menor possibilidade de que qualquer tipo de fraude ocorra"."Temos certeza absoluta de que isso é impossível", afirmou Sandra.Ao votar, em Caracas, Chávez também descartou a possibilidade de fraude. "Em um dia como hoje, não me parece de bom grado especular sem nenhum tipo de provas", disse Chávez, citado pelo jornal venezuelano El Universal"Não vá alguém, sentindo-se derrotado, começar desde cedo a dizer isso ou aquilo. Os venezuelanos aspiram responsabilidade."Rosales, por sua vez, preferiu não falar em manipulação, e apenas pediu que o problema seja solucionado. Ainda assim, chamou a atenção para o fato de que 36% dessas supostas irregularidades aconteceram em seções em que Chávez tradicionalmente perde as eleições. Ele também relatou casos em que houveram atrasos na abertura de algumas das seções eleitorais."Não vamos aceitar um processo eleitoral desta forma. Onde isso ocorrer, vamos protestar e evitar que se realize o processo até que tudo se normalize. Se a máquina não se normaliza, utilizaremos o processo manual. Mas, em todo o caso, o CNE deve tomar todas as medidas", disse o candidato.TranqüilidadeApesar das ressalvas do oposicionista, os venezuelanos votam em um clima de tranqüilidade e com uma grande participação popular. Tanto Chávez quanto Rosales coincidiram em parabenizar a população, que saiu em massa para votar neste domingo. Dezesseis milhões de venezuelanos estão aptos a exercer esse direito. O presidente e candidato Chávez, com sua proposta de aprofundar o processo que chama de "socialismo do século XXI", votou em um populoso bairro de Caracas, onde falou sobre a necessidade de aceitar democraticamente e com maturidade política o resultado das urnas. O candidato, que já governa a Venezuela há oito anos e é o favorito vitória segundo as pesquisas, mostrou-se sorridente em suas declarações breves à imprensa na saída do local de votação no qual chegou ao volante de um fusca vermelho, cor que caracteriza o "chavismo". Já Rosales votou em Maracaibo, capital do Estado de Zulia, onde nasceu e onde é governador. Durante a campanha, Rosales declarou querer dar ao país uma "democracia social". Após os denunciar atrasos e supostos problemas com o sistema automatizado de votação, seguiu para Caracas, onde aguardará o resultado. De acordo com a maioria das pesquisas divulgadas há uma semana, Chávez tem uma vantagem de 10 a 20 pontos sobre Rosales, ainda que algumas pesquisas indiquem empate. Caso a vitória de Chávez se confirme, a questão que se colocará será se a margem de votos que ele conseguir será suficiente para o anúncio do plano de avanço em sua "revolução socialista e na reforma da Constituição para permitir a reeleição por tempo indeterminado".

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