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Oposição aposta em triunfo amplo em Buenos Aires para chegar à Casa Rosada

Capital argentina escolhe neste domingo sucessor do prefeito conservador Mauricio Macri, principal nome opositor contra kirchnerismo em outubro

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2015 | 15h07

BUENOS AIRES - Os 2,5 milhões de eleitores de Buenos Aires escolhem neste domingo, 19, o sucessor do empresário Mauricio Macri, prefeito que deixará o cargo com aprovação acima de 60% e é o principal nome da oposição para buscar a presidência em outubro. Os dois participantes do segundo turno fazem parte de grupos que compõem a coalizão nacional do candidato conservador - o kirchnerismo passou a ser a terceira força na capital argentina.

Essa disputa entre aliados poderia sugerir um resultado em que Macri só tem a ganhar, mas o ex-presidente do Boca Juniors demonstrou preocupação na última semana. Ele abandonou as viagens pela região metropolitana para emprestar popularidade a seu afilhado político, o engenheiro Horacio Larreta, favorito para ser seu sucessor na prefeitura, governada pelo Proposta Republicana (PRO) há oito anos. 

Uma vitória apertada de Larreta contra o economista Martín Lousteau, do recém fundado Energia Cidadã Organizada (ECO), poderia sugerir fragilidade na tentativa de Macri chegar à Casa Rosada. O domínio da capital argentina, com 8% dos eleitores do país, é o principal trunfo da oposição à presidente Cristina Kirchner. Após o primeiro turno, Lousteau denunciou ter sido pressionado a abandonar a disputa, para não prejudicar o projeto nacional opositor.

"Não basta que Larreta vença, é fundamental que a diferença seja ampla para Macri fortalecer seu projeto nacional", disse ao Estado Mariel Fornoni, diretora da consultoria Management & Fit. O instituto Poliarquía, em pesquisa publicada neste domingo, dava 10 pontos de vantagem a Larreta. Outro mostravam uma margem mais apertada, de pelo menos 6 pontos porcentuais.

O primeiro resultado concreto da votação, marcada por um pacto de não agressão entre os rivais, foi a baixa participação. Segundo a justiça eleitoral, 25% dos eleitores haviam participado até o meio-dia. O dia ensolarado típico de primavera, em que a temperatura chegou a 18ºC, e as férias escolares eram explicações usadas por analistas para justificar as ausências. 

Em seu último voto como prefeito, Macri disse esperar que este seja o começo de um caminho que se reproduza em todo o país. "Uma vitória seria um impulso para a campanha nacional", afirmou. Bem-humorado, ironizou os questionamentos sobre uma possível confusão com a introdução do voto eletrônico na cidade. "Há duas fotos. Uma de um candidato careca e outro cheio de cachos." 

Macri apareceu para votar com duas dúzias de croissants, que distribuiu entre jornalistas e autoridades. No primeiro turno, há duas semanas, ele levou apenas uma dúzia. "Então me acusaram de pão-duro, por isso trouxe duas dúzias desta vez."

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