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Oposição argentina escolhe como vice uma cadeirante popular

Principal rival do kirchnerismo na eleição de outubro, Macri escolhe Gabriela Michetti, uma figura popular, para formar chapa

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 12h04

BUENOS AIRES - O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, terá a cadeirante Gabriela Michetti, figura popular em Buenos Aires e conhecida no país, como vice em sua chapa presidencial. Com o anúncio feito nesta sexta-feira, 19, o principal candidato opositor adota uma tática diferente do governismo, que apostou como vice em um ideólogo do kirchnerismo desconhecido do grande público, Carlos Zannini, para unificar a candidatura em torno do governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli.

Michetti, que perdeu o movimento das pernas em um acidente de carro em 1994, foi vice de Macri na prefeitura de Buenos Aires. Desejava substituí-lo e por isso rejeitou no início do ano uma oferta para acompanhá-lo na chapa presidencial. 

Os dois brigaram quando ela insistiu em disputar uma primária pelo governo municipal. Perdeu para o candidato abertamente apoiado por Macri, o engenheiro Horacio Larreta, e então se disse magoada com Macri. Agora, voltam a fazer uma dobradinha que participará de prévias em 9 de agosto. A tendência é que vençam na primária com facilidade os outros dois pré-candidatos da coalizão armada por Macri: Ernesto Sanz, da União Cívica Radical (UCR), partido histórico com presença no interior do país, e Elisa Carrió, deputada de centro-esquerda e a voz mais ouvida contra o kirchnerismo. 

Sem uma disputa interna no bloco governista, a presidente Cristina Kirchner evitou a divisão dos votos governistas entre dois nomes - com Zannini, homem próximo de Cristina na disputa, o ministro dos Transportes, Florencio Randazzo, desistiu. Essa competição provavelmente teria permitido a Mauricio Macri terminar como o pré-candidato presidencial mais votado na primária, considerando-se todos os partidos, o que simbolicamente fortaleceria o projeto opositor. 

O cenário agora é oposto. Os "anti-K", que chegaram a negociar uma aliança entre Macri e o ex-kirchnerista Sergio Massa, chegam divididos às prévias. Ambos têm a presença praticamente certa no primeiro turno em 25 de outubro, mas tendem a somar, na primária, menos votos que Scioli como candidato único de seu grupo. Massa tentou uma aproximação de Macri nas últimas semanas, depois de perder o apoio de políticos que o ajudaram a impor, em 2013, uma derrota a Cristina que a impediu de buscar nova reeleição. Macri rejeitou uma aliança, alegando que a presença de um ex-kirchnerista mancharia seu projeto.

Com a unificação governista, os eleitores que pretendiam votar em Randazzo devem passar a apoiar abertamente Scioli. Em contrapartida, os votantes independentes, que rejeitam o kirchnerismo mas viam em Scioli uma solução intermediária e moderada entre a mudança total e a continuidade, tendem a rejeitar sua aproximação do núcleo mais próximo de Cristina. 

Na primeira propaganda política gravada após a escolha de Zannini como vice, divulgada nesta sexta-feira, Scioli deixa de falar do que é preciso mudar e insiste na expressão "fazer o que falta fazer", dando ideia de continuidade ao governo de Cristina. Para vencer no primeiro turno, objetivo do kirchnerismo, um candidato precisa atingir 45% dos votos válidos ou 40% deles, desde que tenha 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

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