REUTERS/Enrique Marcarian
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Oposição argentina vence eleição municipal em Buenos Aires, mas não evita 2º turno

Horacio Rodríguez Larreta, candidato do Proposta Republicana, do presidenciável Mauricio Macri, teve 45,5% dos votos e enfrentará, no dia 19, Martín Lousteau, da frente de centro-esquerda Eco

O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2015 | 11h05

BUENOS AIRES - O partido conservador Proposta Republicana (Pro), que governa em Buenos Aires atualmente com o candidato à presidência Mauricio Macri, venceu neste domingo o primeiro turno das eleições para prefeito da capital argentina, mas não conseguiu votos suficientes para evitar a realização de um segundo turno no dia 19.

Com 91,9% dos votos apurados, o candidato do Pro, Horacio Rodríguez Larreta, tinha 45,5%, abaixo dos 50% mais um necessários para ser eleito sem a necessidade de uma segunda votação.

Rodríguez Larreta, atual chefe de Gabinete da prefeitura, voltará a enfrentar nas urnas, daqui a duas semanas, Martín Lousteau que foi o segundo colocado, com 25,6% dos votos. Lousteau, ex-ministro da Economia e candidato da frente de centro-esquerda Eco, aliada nacionalmente do Pro nas eleições presidenciais de outubro.

"É espetacular estarmos comemorando juntos esta grande eleição que fizemos", disse o candidato do Pro na sede partidária montado em um centro de convenções. Poucos minutos depois, subiu ao mesmo palanque Macri, a quem as pesquisas situam em segundo nas intenções de voto para as eleições presidenciais, atrás do governista Daniel Scioli.

Prefeito de Buenos Aires desde o fim de 2007, Macri argumentou que a vitória no 1º turno foi uma "mensagem clara de confiança" por parte dos cidadãos no que seu partido fez. "Em cada canto do nosso país, nos corações dos argentinos, cresce esta ideia de que juntos podemos, de que a mudança é possível. Isto é o mais importante", afirmou Macri.

Em seu próprio centro de campanha, Lousteau também festejou o resultado e confirmou que não desistirá de concorrer no segundo turno, como foi especulado por parte da imprensa e por analistas políticos. "Hoje os portenhos decidiram que haverá segundo turno. Obrigado a todos, porque com o segundo turno ganhamos todos", afirmou o candidato do Eco, que pediu um debate com Rodríguez Larreta nos próximos 15 dias.

Em terceiro lugar, com 21,8%, ficou Mariano Recalde, que teve um dos piores resultados da Frente para a Vitória, liderada pela presidente argentina, Cristina Kirchner. Ao lado de vários ministros, Recalde admitiu a militantes que teria "gostado de ter um pouco mais de tempo" para oferecer aos portenhos "um segundo turno diferente" e parabenizou seus oponentes.

Com um peso de 7,9% no censo nacional e 2,5 milhões de pessoas convocadas a votar, a capital é o quarto maior distrito eleitoral da Argentina. No domingo também houve eleições em quatro províncias do país, entre elas Córdoba, que, com 2,7 milhões de eleitores, é o segundo maior distrito eleitoral da Argentina e votou para escolher seu governador.

Contabilizadas 1,3% das mesas, quem levava a melhor, com 44,61%, era o deputado Juan Schiaretti, que já governou a província e representa a União por Córdoba (peronismo dissidente, atualmente governante na província). Em seguida apareciam o radical Oscar Aguad (34,83%), candidato de uma aliança entre o Pro, a União Cívica Radical e a Frente Cívica, e o kirchnerista Eduardo Accastello (13,98%), prefeito de Villa María.

O golpe para o kirchnerismo nos distritos chave de Buenos Aires e Córdoba só foi parcialmente suavizado por um triunfo nas eleições para governador na província de La Rioja, com o governista Sergio Casas.

Também foram realizadas ainda eleições internas não obrigatórias em La Pampa, prévias à votação para governador, previsto para 25 de outubro, e legislativas em Corrientes.

Em um ano eleitoral marcado pelas eleições presidenciais de outubro, a Frente para a Vitória ganhou a eleição para governador nas províncias de Salta e Chaco, no norte do país, e na Terra do Fogo, no extremo sul.

Em Neuquén, o Movimento Popular Neuquino, que governa a província há 50 anos, voltou a vencer, e em Río Negro, obteve a reeleição Alberto Weretilneck, um ex-aliado do kirchnerismo. Em Santa Fé, triunfou uma coalizão de centro-esquerda em uma disputa muito apertada, e em Mendoza venceu uma frente formada por radicais e conservadores. / EFE

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