Oposição ataca alta da gasolina na Venezuela

Capriles critica que debate sobre aumento só tenha ocorrido após eleições regionais do dia 8

CARACAS, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2013 | 02h01

A oposição venezuelana criticou ontem a intenção do governo de reajustar pela primeira vez desde 1997 o preço da gasolina. O governador de Miranda, Henrique Capriles, atacou o presidente, Nicolás Maduro, por ter colocado o tema em debate depois das eleições regionais do dia 8, vencidas pelo chavismo.

Outros deputados questionaram o acordo com Cuba que prevê o envio de 100 mil barris por dia de petróleo à ilha. "Agora, anunciam que vão aumentar a gasolina", disse Capriles. "Por que não falaram isso durante a campanha eleitoral?"

A deputada María Corina Machado acusou Maduro de privilegiar os acordos com Cuba em detrimento do mercado interno. "Com que moral querem que paguemos a gasolina que eles dão de presente ao regime cubano. O governo está tirando a gasolina para dá-la aos irmãos Fidel e Raúl Castro."

Em troca do petróleo, a Venezuela recebe médicos e professores de Cuba que atuam em projetos sociais em comunidades carentes do país. O subsídio à gasolina, segundo a PDVSA, consome 600 mil barris por dia, além dos 100 mil que, acredita-se, sejam contrabandeados para países vizinhos, especialmente para a Colômbia.

Principal entidade patronal venezuelana, a Fedecâmaras não achou o provável aumento totalmente ruim. "Esse debate avança na direção correta e é um reconhecimento da necessidade de diálogo que tem o país", disse, por meio de nota, o presidente da entidade, Jorge Roig.

Economistas venezuelanos concordam que o fim do subsídio era inadiável. O litro da gasolina na Venezuela custa hoje, pelo câmbio oficial, o equivalente a US$ 0,01 (R$ 0,023). Com o aumento, o litro passaria para US$ 0,43 (R$ 0,99).

Encontro. Em um raro gesto de conciliação, Maduro se encontrou ontem com prefeitos e governadores da oposição para superar diferenças históricas. "No espírito do Natal, podemos começar uma nova etapa", disse o presidente. "Nossas diferenças continuarão a existir, mas eu peço a vocês que as canalizem, como fizemos no dia 8 (das eleições), democraticamente, em paz e com respeito às regras do jogo."

Entre os opositores estavam os prefeitos de Caracas, Antonio Ledezma, e o de Valencia, Miguel Cocchiola. "Viemos para discutir os problemas mais urgentes dos venezuelanos", disse Ledezma. Capriles, que recusou o convite para o encontro, disse que não é contra o diálogo com Maduro, mas sentiu que o governo estava "impondo condições" à oposição. / EFE, AP e REUTERS

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