Oposição ataca Maduro por incentivar milícias

Presidente da Venezuela havia ordenado que as Forças Armadas armem operários para manter a revolução bolivariana e garantir a estabilidade

CARACAS, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2013 | 02h02

A oposição venezuelana qualificou ontem de "irresponsável" o discurso do presidente Nicolás Maduro, que prometeu na quarta-feira "300 mil, 500 mil, 1 milhão, 2 milhões" de operários para que se integrem às milícias bolivarianas e "sejam capazes de defender a soberania nacional".

O dirigente da frente opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, afirmou que o governo de Maduro - a quem acusam de ter fraudado a eleição de 14 de abril - adota um "discurso intimidatório".

"Esse tipo de retórica ameaçadora é um contrassenso e evidencia a patética incapacidade da pessoa que nos governa", disse Aveledo. "Que não diga esse tipo de asneira, que não nos mete medo e reflete apenas irresponsabilidade, mesmo quando deveríamos estar acostumados com esse tipo de coisa do senhor Maduro."

As milícias dos Círculos Bolivarianos foram formadas em 2005 pelo então presidente Hugo Chávez como uma "força armada auxiliar do Poder Popular" para garantir a soberania nacional e a "estabilidade da revolução bolivariana".

"Para que armar operários, médicos, empresários, dirigentes comunitários ou jogadores de beisebol se, num estado de direito, o monopólio do uso de armas está reservado aos corpos do Estado - as Forças Armadas e a polícia, que as utilizam em atos que são supervisionados?", indagou Aveledo.

Maduro, que tomou parte ontem da posse do presidente equatoriano, Rafael Correa (mais informações nesta página), não se pronunciou sobre as declarações do opositor.

Ao mesmo tempo, a deputada opositora venezuelana María Corina Machado criticou os chefes de Estado da América Latina pela "indiferença" às ações de "destruição da democracia e suas instituições na Venezuela". María Corina e outros dois deputados da oposição viajaram para o Chile, onde apresentaram sua visão do que consideram "irregularidades" na eleição de abril.

Para ela, há "um grupo de nações da América do Sul" - entre as quais incluiu Brasil, Chile, Colômbia e México - , "que inexplicavelmente optaram por ignorar o que ocorre na Venezuela". / EFE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.