Oposição ataca refinaria e fecha cerco a Trípoli

Rebeldes líbios estão a 50 quilômetros da capital e tentam controlar produção de petróleo

Reuters, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

Rebeldes líbios atacaram ontem a única refinaria de petróleo em operação na Líbia, na cidade de Zawiya, para tentar expulsar as últimas tropas leais a Muamar Kadafi nos arredores de Trípoli e consolidar o cerco à capital.

Os rebeldes se aproximam da capital pelo oeste e pelo sul, enquanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) controla a saída para o mar, no norte de Trípoli, que fica na costa do Mediterrâneo. Depois de mais de seis meses de guerra civil, Kadafi parece estar isolado. Jornais árabes afirmam que o ditador está gravemente doente.

No sábado, os rebeldes líbios tiveram um grande avanço saindo de bases próximas da Tunísia até Zawiya, que fica a 50 quilômetros de Trípoli. Os confrontos na refinaria começaram na terça-feira. Cerca de cem soldados de Kadafi ocupam o local e a bandeira do governo permanecia hasteada até o fim da noite de ontem. Rebeldes afirmam que o oleoduto que fornece petróleo e gás à capital foi fechado. Um terço dos 6 milhões de habitantes do país vive em Trípoli.

Analistas dizem que a tomada da refinaria de Zawiya, onde normalmente são produzidos 120 mil barris de petróleo por dia, não teria um grande impacto na capacidade de Kadafi de assegurar combustível, já que o ditador tem conseguido gasolina da Tunísia e, em menor extensão, da Argélia. Entretanto, a tomada da cidade é importante para controlar a principal estrada entre a capital líbia e a Tunísia.

Em Zawiya, tropas de Kadafi ocupam ainda o principal hospital da cidade. Testemunhas afirmam que atiradores foram posicionados no telhado do prédio e impedem a entrada e a saída de médicos e enfermeiras. Outros prédios da principal avenida da cidade também estão sob vigilância armada.

Batalhas no leste. Um porta-voz dos rebeldes afirmou que as forças opositoras estão concentradas cem quilômetros a oeste da cidade de Misrata. Segundo o grupo, foram encontrados os corpos de 150 civis numa vala comum em Tawargha. "São cadáveres de civis sequestrados pelas tropas de Kadafi em Misrata", afirmou. Os rebeldes teriam encontrado ainda um vídeo que mostra a decapitação das vítimas.

Líderes rebeldes voltaram a negar que estejam negociando secretamente com representantes de Kadafi na Tunísia ou com o enviado especial da ONU.

O porta-voz de Kadafi, Ibrahim Moussa, debochou da declaração do secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, afirmando que os dias do ditador estariam contados. "Eles dizem isso há seis meses e permanecemos aqui", afirmou.

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