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Oposição avança no norte da Líbia e Kadafi promete ''resistir até a morte''

TRÍPOLI

, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em meio ao avanço de forças opositoras, que já controlam praticamente metade da região costeira da Líbia, o ditador Muamar Kadafi foi à TV estatal garantir que ainda estava no país e esmagaria os "ratos e mercenários" que abalaram seu regime. "Não abandonarei esta terra. Morrerei aqui como mártir", prometeu ele diante de uma de suas residências em Trípoli, ainda parcialmente destruída por um bombardeio americano de 1986.

Testemunhas relatam cenas de guerra nas ruas da capital. Automóveis com forças leais a Kadafi disparavam a esmo para intimidar a população. Segundo moradores, o regime aproveitou a madrugada para cometer "massacres". "Eles passavam pelos bairros atirando sem parar, como bandidos. Depois voltavam. Foi um completo terror até o amanhecer", disse um morador.

As batalhas mais violentas estariam sendo travadas no bairro de Fashloum, onde manifestantes montaram barricadas com entulhos e resistiam às investidas das forças de ordem. Do outro lado das barreiras improvisadas, militares e beduínos que apoiam Kadafi, muitos deles armados com AKs-47, montavam guarda.

Baterias antiaéreas teriam ainda sido colocadas ao redor da emissora estatal. "A situação é exasperante", disse um outro morador.

Saif al-Islam, filho de Kadafi, anunciou a jornalistas que pelo menos 300 pessoas morreram em uma semana de distúrbios, incluindo 58 militares. A maioria das vítimas seria de Benghazi, segunda maior cidade da Líbia - que agora estaria sob controle de opositores. Forças que tentam derrubar o regime líbio, porém, falam em mais de 500 mortos.

O ministro do Interior da Líbia, general Abdul Fatah Yunis, abandonou ontem o regime e convocou o restante das Forças Armadas a segui-lo. Segundo a TV Al-Jazira, o general teria afirmado que os protestos estão sendo conduzidos "pelo povo, que tem aspirações legítimas".

"Muamar Kadafi é história, resistência, liberdade, glória, revolução", disse aos berros o ditador à TV estatal, vestido com uma túnica marrom. A emissora do regime mostrou ainda cenas da Praça Verde - palco de violentos conflitos na segunda-feira - dominada por partidários de Kadafi beijando fotos do ditador.

Citando fontes anônimas, a revista Time noticiou ontem que Kadafi teria ordenado a destruição de dutos de petróleo na região de Benghazi. A cotação de petróleo voltou ontem a bater o recorde em dois anos - o barril Brent fechou a US$ 108, 57.

A internet na Líbia continua bloqueada e o sinal de telefonia está intermitente. A crise do regime Kadafi é o episódio mais sangrento da onda de protestos no mundo árabe que já derrubou os governos da Tunísia e Egito. / NYT e REUTERS

Discurso na TV

MUAMAR KADAFI

DITADOR DA LÍBIA

"Não deixarei a Líbia. Morrerei aqui como mártir"

"Os crimes que eles cometeram podem ser punidos com a execução sob a lei líbia"

"Vocês conhecem alguém decente que participe disso? São todos bêbados e drogados"

"Não usamos força ainda, mas usaremos se for necessário"

"Não sou presidente, não posso renunciar. Se tivesse um cargo renunciaria"

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