Oposição bielo-russa entrará na Justiça contra eleições

A oposição bielo-russa impugnará no Supremo Tribunal os resultados das eleições presidenciais do último dia 19 que deram a vitória ao atual presidente do país, Alexander Lukashenko. "As eleições serão impugnadas nos tribunais", anunciou hoje em entrevista coletiva Alexandr Milinkevich, líder da oposição democrática. O chefe de campanha do líder opositor, Serguei Kaliakin, líder dos comunistas, acrescentou que a apelação será apresentada ainda esta semana. "A Corte Suprema será submetida a uma prova de consistência. Se a demanda for rejeitada, significará que na Bielo-Rússia o sistema judiciário não existe", afirmou. A Comissão Eleitoral Central deu a Lukashenko 83% dos votos, contra 6,1% de Milinkevich, resultado muito abaixo das previsões da oposição. Milinkevich, que exige a realização de novas eleições, acredita que Lukashenko não obteve mais de 50% dos votos nas eleições presidenciais, por isso seria preciso realizar um segundo turno. O líder da oposição democrática também informou que as forças opositoras estão tentando ajudar economicamente os ativistas detidos pelas autoridades. Segundo a oposição, na sexta-feira e no sábado, mais de mil opositores foram detidos pelas forças de segurança, dos quais 150 foram condenados na segunda-feira a várias semanas de prisão, entre eles o filho de Milinkevich, Igor, de 19 anos, e vários jornalistas estrangeiros. "Estes julgamentos são uma farsa, assim como as eleições. As sentenças estavam predeterminadas", assegurou Milinkevich. O líder dos social-democratas, Alexandr Kozulin, pode ser condenado a seis meses de prisão ou 3 anos de liberdade condicional por estimular os cidadãos a "derrubar" Lukashenko. Kozulin, ex-reitor da Universidade de Minsk, tem pendentes outros três processos judiciais em relação a incidentes ocorridos durante a campanha eleitoral. Elogios O presidente bielo-russo elogiou hoje as forças de segurança por "sufocar com diligência e firmeza os protestos opositores e colocar cada um em seu lugar". "As batalhas políticas terminaram. No país reina a paz e a ordem, como outrora, apesar de certos tumultos esporádicos", acrescentou. Lukashenko, no poder desde 1994, qualificou de "esmagadora" sua vitória, baseada na alta participação eleitoral, acima de 90%. Além disso, pediu aos funcionários que retirassem "imediatamente" os retratos do presidente de seus despachos para evitar "ser acusado de autoritarismo". "Uma pequena fotografia no lugar correto será suficiente para que todos a vejam", ressaltou. A cerimônia de posse de Lukashenko prevista pela Comissão Eleitoral Central para o próximo dia 31 foi adiada hoje inesperadamente para meados de abril. Milinkevich assegurou que a oposição não deve convocar manifestações para o dia da posse de Lukashenko, mas pode sair às ruas no 20º aniversário da catástrofe da central nuclear ucraniana de Chernobil, que será celebrado em 26 de abril. A oposição é contrária ao reflorestamento da "zona zero", como se conhece a região mais afetada pela radiação, que matou 300 mil pessoas em Ucrânia, Rússia e Bielo-Rússia.

Agencia Estado,

28 Março 2006 | 13h31

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