Oposição boicota oferta de ''diálogo'' feita por líder sírio

Autoridades sírias iniciaram formalmente no domingo um "diálogo nacional" que teria por objetivo levar o país a uma democracia pluripartidária. Líderes da oposição, entretanto, boicotaram o evento. Segundo os dissidentes, a oferta seria mais uma manobra do regime Bashar Assad para mascarar a brutal repressão contra manifestantes pró-democracia.

Nada Bakri, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2011 | 00h00

Embora políticos moderados tenham comparecido às negociações, líderes da oposição disseram que não participariam sem o fim da repressão. Grupos locais de defesa dos direitos humanos estimam que a reação do regime contra os manifestantes já deixou 1.300 mortos e levou 12 mil à cadeia.

O vice-presidente sírio, Farouk al-Shara, disse que as negociações de dois dias, realizadas num resort perto de Damasco, eram para discutir uma legislação que abriria as portas a uma transição a um sistema pluripartidário. "Esse diálogo está começando num momento difícil e num clima de suspeita", disse al-Shara. "Há muitos obstáculos, alguns naturais e outros fabricados, para uma transição."

Para um líder da oposição que pediu anonimato, a reunião é "um diálogo entre a autoridade e ela mesma". "Decidimos boicotar a reunião porque, se participássemos, seríamos cúmplices do derramamento de sangue pelos militares e pela máquina de segurança do regime." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

É REPÓRTER DO "NEW YORK TIMES"

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