Oposição boliviana anuncia greve em cinco Estados

Metade da Bolívia fará amanhã greve pela devolução de impostos cobrados pelo governo do presidente Evo Morales sobre o petróleo e usados pelo governo central para pagar uma aposentadoria universal a todos os idosos do país. A greve do setor privado deverá afetar cinco dos nove departamentos (Estados) da Bolívia, todos no leste do país, onde os governadores da oposição formaram um bloco contra Morales. Os governadores protestam que o presidente retém a devolução dos Estados há mais de doze meses.A greve ocorrerá após o referendo de 10 de agosto, que confirmou de maneira sólida o mandato de Morales, mas também confirmou nos cargos seus quatro opositores mais fortes - os governadores de Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni. Os quatro Estados, somados a Chuquisaca, deverão observar a greve. O governo condenou o movimento. "O movimento representa uma séria ameaça de violência e promete degenerar em atos de violência e intimidação", disse o chefe de gabinete do governo, o ministro Juan Ramón Quintana.No sábado, uma marcha contra Morales acabou em violência, quando a polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo contra opositores. O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, culpou Morales pela violência. "Você é o responsável, o verdadeiro criminoso pelos choques do sábado passado", afirmou em discurso. A escalada da crise política na Bolívia agravou-se após a eleição de Morales em 2006. O presidente tem apoio de pouco mais de 60% da população, formada em grande parte por indígenas, mas enfrenta a oposição das elites econômicas do leste do país. As informações são da Dow Jones.

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