AP Photo/Juan Karita
AP Photo/Juan Karita

Oposição boliviana formaliza coalizão para desafiar Evo nas eleições de 2019

Em um ato em Santa Cruz de La Sierra, partidos do governador Rubens Costas e do ex-presidenciável Samuel Doria Medina declararam aliança programática

O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2018 | 12h05

LA PAZ - Dois dos principais partidos da oposição na Bolívia, o Movimento Democrata Social (Democratas) e a Unidade Nacional (UN), formalizaram no domingo, 11, uma aliança para as eleições presidenciais de 2019, nas quais o presidente Evo Morales, no poder desde 2006, deve tentar um quarto mandato.

Em um ato em Santa Cruz de La Sierra, os dois partidos prometeram incorporar todas as forças que se comprometam com a construção da unidade da oposição boliviana. O principal nome dos Democratas é o governador do Departamento (província) de Santa Cruz, Rubén Costas. A UN é liderada pelo ex-candidato à presidência Samuel Doria Medina, derrotado por Evo nas eleições de 2014. 

"Depositamos no nosso presidente Rubén Costas a confiança para construir essa aliança e unir as forças de oposição", disse o bloco, em nota, segundo o diário La Razón. "Convidamos todos os partidos que façam parte desta aliança a continuar este trabalho. 

A UN confirmou sua adesão à coalizão mesmo sem a presença de Doria Medina no ato. "Nosso interesse prioritário é a união com um partido irmão e autorizamos nosso presidente Doria Medina a buscar uma aliança político-eleitoral, com base na vontade idêntica de lutar pelo respeito ao voto popular e à democracia", disse a UN. Ainda não está definido quem liderará a chapa que desafiará Evo nas urnas em 2019. 

A nova candidatura de Evo o possibilitaria a alcançar um quarto mandato. Eleito em 2005, ele disputou mais duas eleições depois de a atual Constituição boliviana ter sido aprovada em 2009. 

Como a nova Carta permite apenas uma única reeleição, Evo tentou emendá-la por meio do referendo, mas acabou derrotado e recorreu à Justiça, que, Com a maioria dos magistrados ligados ao presidente,  liberou a candidatura um ano depois. O congresso opositor do domingo foi batizado de "A força do não", em relação a esse referendo.

Apesar de ter a candidatura liberada, Evo tem evitado atos de campanha, depois que protestos contra sua candidatura têm se tornado mais comuns. No fim de semana, em um evento que homenageava o aniversário do Departamento de Potosí, o presidente e o vice Alvaro Garcia Linera evitaram o evento, em meio a gritos de "A Bolívia disse não", em referência à derrota no referendo. 

"São pessoas que nunca produziram nem sequer uma batata, mas reclamam e protestam", disse Linera.  

No sábado, um jovem identificado como Rafael Chambi Julián, de 26 años, foi detido por arremessar um copo d'água contra o presidente. Ele pode ser indiciado por "atentar contra a integridade do presidente", com pena de 5 a 10 anos de cadeia. Líderes opositores pediram sua libertação e prometeram custear sua defesa. /AFP e AP

 

Tudo o que sabemos sobre:
Bolívia [América do Sul]Evo Morales

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.