Oposição boliviana pede expulsão de embaixador venezuelano

A aliança de oposição boliviana Poder Democrático e Social (Podemos) vai propor na quarta-feira no Senado, onde tem maioria, que o Ministério de Relações Exteriores considere o embaixador venezuelano em La Paz, Julio Montes, como "persona non grata", mas o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse confiar no "camarada Evo" para que isso não aconteça.O senador Oscar Ortiz, da Podemos, disse à Efe que apresentará o projeto de resolução à Câmara de Senadores porque Montes afirmou no sábado que os venezuelanos ofereceriam "seu sangue e suas vidas" para defender a revolução boliviana. Ele estava ao lado do presidente Evo Morales, num ato na zona cocalera de Chapare.Ortiz disse que Montes deve ser declarado "persona non grata" porque "intrometeu-se em assuntos internos do país". Ele argumentou que a promessa significa que "os venezuelanos poderiam intervir num conflito interno, obviamente em defesa do governo boliviano".Segundo o senador da oposição, representante do departamento de Santa Cruz, as declarações do diplomata também "confirmam a preocupação com o convênio militar de cooperação com a Venezuela" assinado pelo governo da Bolívia. O acordo de assistência militar em "gestão de crise", segundo a Podemos, permite a militares venezuelanos intervir em caso de conflitos sociais na Bolívia.No Senado, a Podemos conta com 13 cadeiras, contra 12 do governista Movimento Ao Socialismo. A centrista União Nacional e o também opositor Movimento Nacionalista Revolucionário têm um senador cada.Em Caracas, Chávez afirmou confiar no "camarada Evo" para barrar a iniciativa. "Só quem pode expulsar um embaixador é o governo, e tenho certeza de que o companheiro e camarada Evo nunca vai fazer isso", disse. "Nosso embaixador na Bolívia representa a voz de nosso povo, que apóia o povo da Bolívia."Ele acrescentou que a Bolívia tem "uma oligarquia que em muitos casos foi mais feroz historicamente que a venezuelana" e que "se apossou do país e de sua riqueza", fazendo dele "um dos mais pobres do continente".Mais uma vez, Chávez denunciou "o plano desestabilizador para impedir Evo de governar", parte de um plano "imperialista".A decisão de Morales de descriminalizar a folha de coca, argumentou, é usada "como um pretexto pelo império americano" para "instalar bases militares no continente, infiltrar as forças armadas, derrubar Governos e instalar governos subalternos para se apossar das riquezas do continente".

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