REUTERS/Henry Nicholls
REUTERS/Henry Nicholls

Oposição britânica acusa Johnson de tentar privatizar sistema de saúde

Trabalhistas e nacionalistas escoceses podem formar governo de minoria, segundo líder do SNP

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 12h22

LONDRES -  A oposição trabalhista e os nacionalistas escoceses concentraram os ataques ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, com a acusação de que o Partido Conservador pretende privatizar o sistema público de saúde (NHS, na sigla em inglês) do Reino Unido, em um acordo comercial com os Estados Unidos. 

A duas semanas das eleições, o líder trabalhista Jeremy Corbyn disse te 450 páginas de documentos que, segundo ele, trazem revelações de seis sessões de negociação desde 2017, em Washington e Londres, entre representantes britânicos e americanos sobre suas relações comerciais após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Para Entender

A cronologia do Brexit

Decisão de sair da União Europeia deixou os britânicos com a tarefa de conduzir o processo sem fazer um rompimento brusco; relembre

“Esses documentos confirmam que os Estados Unidos exigem que o serviço nacional de saúde (NHS) esteja na mesa de negociações”, afirmou. “Agora temos evidências de que, com Boris Johnson, o NHS está sobre a mesa e estará à venda. Trata-se de negociações secretas para um acordo com Donald Trump após o Brexit, um acordo que definirá o futuro do nosso país.”

A líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP), Nicola Sturgeon, fez coro às críticas de Corbyn. “Um voto no SNP é um voto para impedir a privatização do NHS na Escócia”, disse ela ao lançar o programa de governo do partido para a eleição. 

Sturgeon disse ainda que cogita de uma aliança com os trabalhistas em um possível governo de minoria para impedir o Brexit. No entanto, ela também fez críticas a Corbyn, acusado recentemente de antissemitismo pelo principal rabino do Reino Unido. “Deploro as atitudes dele e sua falta de liderança no que diz respeito ao antissemitismo."

Novo plebiscito de independência da Escócia

Sturgeon ainda vinculou seu apoio à realização de um segundo plebiscito sobre a independência da Escócia. A hipótese tem ganhado força dentro do SNP, que teme um Brexit sem acordo. Na Escócia, a maioria da população votou em 2016 pela permanência na União Europeia. 

Boris Johnson garante que a saída da União Europeia, prevista para 31 de janeiro após três adiamentos, permitirá ao Reino Unido recuperar o controle de sua política comercial. 

O presidente americano Donald Trump prometeu várias vezes a ele um "magnífico acordo" após o Brexit, embora tenha dito recentemente que seria difícil sob o acordo de divórcio de Boris Johnson com a UE.

No final de outubro, ele considerou "ridículas" as acusações segundo as quais os Estados Unidos queriam tirar proveito de um novo acordo comercial para negociar uma provável privatização do NHS;. Donald Trump é esperado terça e quarta-feira em Londres para uma reunião da Otan. 

Em desvantagem nas pesquisas, criticado por sua indecisão sobre o Brexit, o Partido Trabalhista está fazendo campanha com um programa mais à esquerda, com promessa de nacionalizações e gastos maciços, especialmente no NHS./ AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.