Oposição busca impugnar candidatura de Kirchner

Registro de domicílio eleitoral pode barrar pretensão do ex-presidente de eleger-se deputado

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

O ex-presidente Néstor Kirchner, marido da atual presidente, Cristina Kirchner, anunciará nesta semana sua candidatura como deputado federal nas eleições parlamentares, marcadas para 28 de junho. Kirchner, entretanto, poderá ser impedido de concorrer pela Justiça Eleitoral por não ter domicílio oficial na Província de Buenos Aires, informou ontem o jornal La Nación.Presidente do Partido Justicialista, o marido de Cristina pretende liderar a lista de deputados governistas de Buenos Aires, distrito que concentra 38% dos eleitores do país. Mas o título de eleitor de Kirchner ainda está registrado em sua província natal, Santa Cruz, onde ele exerceu o cargo de governador. A oposição já prometeu entrar com pedidos de anulação da candidatura do rival.Nas eleições de junho, metade dos 257 assentos da Câmara de Deputados e um terço dos 72 lugares no Senado serão renovados. Sozinha, a Província de Buenos Aires elegerá 35 deputados.Em resposta à oposição, assessores do ex-presidente argumentam que Kirchner reside "de fato" na Província de Buenos Aires desde 2003, quando ele mudou-se para a residência oficial de Olivos, na Grande Buenos Aires. Ele continuou na chácara presidencial quando sua mulher, Cristina, tomou posse, em dezembro de 2007. A candidatura de Kirchner é considerada a principal cartada do atual governo - imerso em uma crise de popularidade -, já que ela poderia evitar uma derrota nas urnas. Um eventual fracasso eleitoral deixaria Cristina sem maioria no Parlamento, marcando o fim da hegemonia kirchnerista. A derrocada obrigaria a presidente a negociar com outros setores até dezembro 2011, quando conclui seu mandato. Os Kirchners possuem no distrito eleitoral bonaerense seu principal reduto político. Mas, nos últimos meses, a escalada da crise econômica e a organização de forças dissidentes do próprio peronismo provocaram a fuga de aliados. Segundo ONGs, partidos de oposição e jornais locais, a irmã de Kirchner e ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, está distribuindo dinheiro em espécie, bolsas de estudos e até mesmo eletrodomésticos em regiões da Grande Buenos Aires.No interior da Província, onde predomina a produção agrícola, o kirchnerismo encontra dificuldades. Entidades ruralistas lideram, desde o ano passado, fortes protestos contra o governo de Cristina.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.