Oposição busca nome de peso para enfrentar Chávez

Após as eleições de domingo, que renovaram as 165 cadeiras da Assembleia Nacional, o campo antichavista começa a especular sobre um nome capaz de enfrentar o presidente venezuelano na eleição presidencial de 2012. A oposição obteve, em termos estatísticos, o mesmo número de votos das forças que apoiam Hugo Chávez - apesar de ter eleito apenas 65 deputados.

AE, Agência Estado

29 de setembro de 2010 | 07h52

O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, um dos líderes da opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), foi um dos primeiros a sair a público para defender a realização de primárias para a escolha do desafiante de Chávez. Das urnas de domingo, emergiram alguns possíveis candidatos entre os deputados eleitos, mas alguns governadores - incluindo o próprio Capriles e o líder do poderoso Estado de Zulia, Pablo Pérez - também se credenciaram como dirigentes políticos importantes.

"O perfil ideal desse desafiante de Chávez é o de um político jovem, desvinculado dos governos anteriores ao atual e capaz de oferecer soluções para questões que o chavismo deixou em aberto, como o crescimento econômico insuficiente, a desconfiança dos investidores internacionais, a crise energética e a criminalidade crescente", afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo o diretor do Instituto Liberal Rodrigo Pando.

Uma das estrelas da campanha para a Assembleia foi a fundadora da ONG Súmate, María Corina Machado. Mas uma ameaça já paira sobre suas pretensões. "A eleição acabou, já não nos podem acusar de agir com motivação eleitoral e é hora de investigar quem está por trás da campanha de algumas madames", anunciou, na edição de segunda-feira à noite do programa chavista La Hojilla, da estatal Venezolana de Televisión, o âncora Mario Silva. María Corina é acusada por chavistas de receber doações da organização americana National Endowment for Democracy (NED) ou da própria CIA. Denúncias semelhantes já levaram outros políticos e jornalistas venezuelanos à Justiça, acusados de "traição à pátria", punida com até 10 anos de prisão.

"A ?desconstrução? de líderes em potencial é uma especialidade do governo de Chávez. Basta lembrar que seu adversário da última eleição, Manuel Rosales, está asilado no Peru, acusado de enriquecimento ilícito com base em provas discutíveis", diz o especialista Pando. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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