David Fernandez/EFE
David Fernandez/EFE

Oposição busca nome de peso para enfrentar Chávez nas eleições de 2012

Da votação de domingo surgiram alguns possíveis candidatos entre os deputados eleitos; a fundadora da ONG Súmate, María Corina, já é vista pelo presidente como sua principal rival, mas denúncias feitas pelos chavistas podem acabar com suas pretensões

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Após as eleições de domingo que renovaram as 165 cadeiras da Assembleia Nacional, o campo antichavista começa a especular sobre um nome capaz de enfrentar o presidente venezuelano na eleição presidencial de 2012.

A oposição obteve, em termos estatísticos, o mesmo número de votos das forças que apoiam Hugo Chávez - apesar de ter eleito apenas 65 deputados.

O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, um dos líderes da opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), foi um dos primeiros a sair a público para defender a realização de primárias para a escolha do desafiante de Chávez.

Das urnas de domingo, emergiram alguns possíveis candidatos entre os deputados eleitos, mas alguns governadores - incluindo o próprio Capriles e o líder do poderoso Estado de Zulia, Pablo Pérez - também se credenciaram como dirigentes políticos importantes. "O perfil ideal desse desafiante de Chávez é o de um político jovem, desvinculado dos governos anteriores ao atual e capaz de oferecer soluções para questões que o chavismo deixou em aberto, como o crescimento econômico insuficiente, a desconfiança dos investidores internacionais, a crise energética e a criminalidade crescente", declarou ao Estado o diretor do Instituto Liberal Rodrigo Pando.

Perseguição. Uma das estrelas da campanha para a Assembleia foi a fundadora da ONG Súmate, María Corina Machado. Mas uma ameaça já paira sobre suas pretensões. "A eleição acabou, já não nos podem acusar de agir com motivação eleitoral e é hora de investigar quem está por trás da campanha de algumas madames", anunciou, na edição de segunda-feira à noite do programa chavista La Hojilla, da estatal Venezolana de Televisión, o âncora Mario Silva.

María Corina é acusada por chavistas de receber doações da organização americana National Endowment for Democracy (NED) ou da própria CIA. Denúncias semelhantes já levaram outros políticos e jornalistas venezuelanos à Justiça, acusados de "traição à pátria", punida com até 10 anos de prisão.

"A "desconstrução" de líderes em potencial é uma especialidade do governo de Chávez. Basta lembrar que seu adversário da última eleição, Manuel Rosales, está asilado no Peru, acusado de enriquecimento ilícito com base em provas discutíveis", diz o especialista Pando.

PERFIS

María Corina Machado

A nova rival do presidente deputada pela mud no estado de miranda

Foi uma das fundadoras da ONG Súmate, cujo objetivo é monitorar a situação das liberdades democráticas e a lisura dos processos eleitorais no país. Em 2004, a instituição liderou a campanha de coleta de assinaturas para a realização de um plebiscito que poderia levar à revogação do mandato de Hugo Chávez. O presidente já a apontou como sua eventual adversária nas eleições de 2012. María Corina apresentou-se como independente - o que pode reduzir suas chances numa possível eleição primária da MUD.

Ismael García,reeleito pelo partido podemos no estado de arágua

O traidor do chavismo

Foi aliado do chavismo até 2007, quando rompeu com Hugo Chávez por discordar do projeto de reforma constitucional submetido pelo governo a plebiscito e por recusar-se a fundir seu grupo político com o PSUV. Tornou-se a principal e uma das poucas vozes oposicionistas da atual Assembleia. Governistas o chamam de "trânsfuga" (parlamentar que muda de partido durante o mandato por razões escusas). A atuação quase solitária deu-lhe popularidade, favorecendo-o como candidato numa possível aliança antichavista.

Julio Montoya, deputado do unt no estado de Zulia

Dirigente do partido Un Nuevo Tiempo (UNT), é um dos mais combativos e radicais opositores de Hugo Chávez. Tornou-se conhecido por denunciar ações de intimidação do governo. Durante a campanha, notabilizou-se por denunciar ações violentas, atribuídas a grupos chavistas, contra algumas sedes políticas da oposição em Zulia. Sua candidatura foi impulsionada pelos líderes do UNT, em uma demonstração de força política no interior do grupo liderado pelo ex-candidato presidencial Manuel Rosales.

Pablo Pérez, governador do estado de zulia, mais rico do país

Líder do maior reduto opositor

Líder do Estado mais rico do país e o mais resistente reduto da oposição a Hugo Chávez, o que por si já o converte em possível candidato em 2012. Sua atuação foi tida como decisiva para que a oposição obtivesse 12 das 15 cadeiras do Estado na Assembleia. Em 2008, substituiu Manuel Rosales - derrotado por Chávez na eleição de 2006, acusado de enriquecimento ilícito e asilado no Peru. Filiado ao partido Un Nuevo Tiempo, tem adotado um discurso moderado em relação ao governo e defendido o "diálogo político".

Antonio Ledezma, governador de Caracas e fundador da (MUD)

Advogado, de 65 anos, governador do Distrito Capital (Prefeitura Metropolitana de Caracas). Filiado à Ação Democrática, é um dos nomes mais conhecidos da oposição a Chávez no exterior. Após vencer a eleição de 2008, viu Chávez tirar-lhe a maioria das atribuições de governo, incluindo os orçamentos de saúde, educação e o comando da polícia metropolitana. Entrou com um processo contra o governo na OEA. Foi um dos criadores e dirigentes da Mesa de Unidade Democrática (MUD).

Henrique Capriles, governador do estado de Miranda

Advogado e economista, de 38 anos, governador do Estado de Miranda. Filiado ao partido Primero Justicia, foi eleito prefeito de Baruta, em Miranda, em 2000, derrotando o candidato chavista. Em 2002, foi preso sob a acusação de ter comandado atos de vandalismo contra a sede da embaixada de Cuba durante o golpe de abril. Chegou ao governo do Estado em 2008. Foi um dos rostos mais conhecidos da MUD na campanha para as eleições de domingo e é um dos políticos mais populares da oposição.

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