Oposição chega ao poder no Quênia após 39 anos

O veterano político Mwai Kibaki e sua aliança de oposição obtiveram uma vitória esmagadora nas eleições de domingo no Quênia, quebrando o domínio do partido governista que controla o poder há 39 anos, informaram monitores independentes e a Comissão Eleitoral do país. Quando faltavam apenas as apurações dos votos de 14 dos 210 distritos eleitorais, Kibaki, um economista de 71 anos, líder da Coalizão Nacional do Arco-Íris, tinha 63% dos votos, de acordo com o Instituto para a Educação na Democracia (IED). Uhuru Kenyatta, candidato da União Nacional Africana do Quênia (KANU) - o partido que governou esta nação do leste da África desde a independência da Inglaterra em 1963 -, admitiu a derrota depois de receber 30% dos votos. Mais tarde, a Comissão Eleitoral declarou oficialmente que Kibaki foi o vencedor, mas não divulgou os resultados finais. O presidente da Comissão, Samuel Kivuitu, afirmou que os resultados já disponíveis, mostravam que Kibaki liderava por uma ampla margem de votos. "É imporovável que essa margem possa ser eliminada", disse ele aos repórteres. Kenyatta, de 31 anos, disse que a KANU irá respeitar Kibaki "em sua posição, de acordo com nossa Constituição". "A KANU irá desempenhar seu legítimo papel no Parlamento para garantir que o desejo de nosso povo seja respeitado", disse Kenyatta, que se torna o líder da oposição oficial, depois de conquistar uma cadeira no Parlamento. O IED, um dos grupos que monitoraram as eleições, disse que até aquele momento Kibaki havia recebido 3.315.992 votos, contra 1.573.909 de Kenyatta. Os votos restantes se distribuíram entre outros três candidatos. Segundo o IED, 56% dos 10,5 milhões de eleitores registrados do país compareceram às urnas. Kenyatta foi o candidato escolhido pessoalmente pelo presidente Daniel Arap Moi, que governou o Quênia durante 24 anos e que agora, devido à Constituição, será obrigado a renunciar no final de seu atual mandato de cinco anos. Kaila Odinga, membro importante da liderança da aliança de oposição, conhecida como NARC, disse que o governo atual foi consultado a respeito da possibilidade de entregar o poder a Kibaki nesta segunda-feira. Mas a Comissão Eleitoral disse que só poderá anunciar o resultado final depois de receber a contagem dos votos de todos os os 210 distritos eleitorais, provavelmente no decorrer desta segunda-feira. Seria esta a primeira vez que um presidente queniano vivo transmite o poder a um secessor. Como vice-presidente, Moi sucedeu ao primeiro presidente do Quênia, Jomo Kenyatta, pai de Uhuru, por ocasião de sua morte em 1978.

Agencia Estado,

29 Dezembro 2002 | 16h32

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