Oposição chega dividida a reunião da Liga Árabe

Análise: Lourival Sant'Anna

O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h07

O xeque Moaz Khatib senta-se hoje na cadeira reservada ao governo sírio na cúpula da Liga Árabe em Doha, Catar, como presidente demissionário da Coalizão Nacional da Oposição Síria. O "primeiro-ministro interino" das áreas sob controle rebelde, Ghassan Hitto, participará da cúpula pela primeira vez depois de eleito pela coalizão, sem o apoio do Conselho Militar Revolucionário, ao qual, em tese, está subordinado o Exército Sírio Livre. Nove dos 63 membros civis da coalizão afastaram-se em protesto contra a eleição de Hitto com 35 votos e o apoio da Irmandade Muçulmana.

No exato momento em que os países árabes e a comunidade internacional se mobilizam para ajudar a insurgência na Síria, agudizam-se os conflitos internos da oposição, que espelham também as angústias do Ocidente e de seus aliados no Golfo Pérsico quanto à influência do radicalismo islâmico no levante. Khatib, um ex-pregador da Grande Mesquita Ummayad, em Damasco, é um clérigo moderado. A coalizão foi criada com apoio dos Estados Unidos, França e Inglaterra para reduzir a influência da Irmandade, que dominava o Conselho Nacional Sírio. Além disso, o conselho, formado por oposicionistas no exílio, não gozava do respeito dos combatentes sírios e dos dissidentes que não deixaram o país.

A coalizão não resolveu nenhum desses problemas: Hitto foi eleito com o apoio da Irmandade e morou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde se naturalizou, casou-se com uma americana e teve quatro filhos. Ele emergiu como nome palatável tanto para os Estados Unidos quanto para a Irmandade, mas, aparentemente, ao elegê-lo, a maioria da coalizão ignorou "o resto": os sírios comuns, que lutam contra o regime dentro do país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.