AP Photo/Ariana Cubillos, File
AP Photo/Ariana Cubillos, File

Oposição ‘congela’ diálogo com Caracas

Segundo o líder da MUD, decisão foi tomada após o governo não comparecer à reuniões mediadaspelo Vaticano

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2016 | 19h27

CARACAS- A oposição da Venezuela disse ontem que as conversas com o governo estão “congeladas”, pois as autoridades não compareceram a reuniões na terça-feira, jogando um balde de água fria nas tentativas de solucionar a profunda crise política do país mediadas pelo Vaticano.

Embora as conversas formais iniciadas no mês passado tenham parecido estar ligadas à libertação de alguns ativistas detidos nas últimas semanas, as esperanças de uma aproximação sempre foram pequenas. Os dois lados têm posições irreconciliáveis: a oposição quer a saída do presidente socialista venezuelano, Nicolás Maduro, e as autoridades asseguraram que não deixará o cargo até o final de seu mandato, em 2019.

“O governo, de forma irresponsável, congelou o processo de diálogo ao não comparecer a duas reuniões técnicas na noite passada”, disse o líder da coalizão opositora MUD, Jesús ‘Chuo’ Torrealba, à agência Reuters.

Ativistas opositores insinuaram que Maduro recuou das conversas depois que a Assembleia Nacional realizou uma sessão acalorada na terça-feira na qual o repreendeu por um escândalo de drogas envolvendo sua família.

Dois sobrinhos de Cília Flores, mulher de Maduro, foram considerados culpados nos Estados Unidos de ter tentado realizar uma negociação de drogas de milhões de dólares para obter uma grande quantidade de dinheiro e ajudar sua família a permanecer no poder.

“O governo está usando o debate como desculpa”, disse o candidato em duas eleições presidenciais, Henrique Capriles, acusando as autoridades de não estarem realmente comprometidas com as negociações.

Caracas não respondeu de imediato a um pedido de comentários sobre o estado do diálogo com a oposição. Não ficou claro se as reuniões podem ser reiniciadas ou se a oposição retomará uma pauta mais militante que, antes das reuniões, incluiu protestos de rua e um plano para levar Maduro a julgamento perante a Assembleia Nacional.

O diálogo dividiu partes da diversificada coalizão opositora, e alguns ativistas sentiram que o governo estava usando a oposição para ganhar tempo sem fazer concessões reais. Encontros anteriores nos últimos anos amenizaram algumas tensões nas ruas, mas também revelaram pouco progresso em questões centrais.

A situação no país rico em petróleo se agravou nos últimos meses em meio a recessão, escassez de alimentos e inflação crescente. / REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.