Henry Romero / Reuters
Henry Romero / Reuters

Oposição contesta vitória da FMLN em eleição presidencial salvadorenha

Vantagem apertada de 6 mil votos abre caminho para recursos contra resultado

O Estado de S. Paulo,

10 de março de 2014 | 11h43

SAN SALVADOR  - A oposição ao governo da Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) recusou-se a reconhecer a vitória do vice-presidente Salvador Sánchez Ceren nas eleições presidenciais de domingo, 9, em El Salvador, após uma apuração parcial ter apontado a vitória do candidato da FMLIN por uma diferença de 6 mil votos.

Sánchez Ceren, ex-guerrilheiro durante a guerra civil salvadorenha, entre 1980 e 1992, recebeu 50,11 % dos votos. Seu rival, Norman Quijano, ex-prefeito de San Salvador e candidato pela direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena), ficou com 49,89%. Apenas 6.634 votos separaram os dois, o que gera a perspectiva de contestações judiciais ao resultado e um mandato fraco para o vencedor.

"Não vamos permitir a fraude... Estamos 100 por cento convencidos de que vencemos", disse Quijano. "Não vão nos roubar a vitória. Vamos brigar, se necessário com as nossas vidas."

A autoridade eleitoral havia dito anteriormente que a vantagem de Sánchez Ceren seria insuperável, mas não o declarou formalmente como vencedor, alegando que era preciso avaliar as impugnações de algumas urnas e aguardar a contagem definitiva.

Sánchez Ceren declarou vitória após os resultados preliminares que apontavam sua vantagem e prometeu governar para trabalhadores e empresários. "Vamos governar para todos, para aqueles que votaram em nós e para os que não votaram", disse o atual vice-presidente, de 49 anos, a simpatizantes.

Sánchez Ceren havia tido 49% dos votos no primeiro turno, em fevereiro, dez pontos percentuais a mais do que o rival. Como ficou a apenas um ponto percentual de evitar o segundo turno, era visto como amplo favorito para a votação de domingo.

Mas Quijano cresceu no último mês entre os conservadores moderados, ao retratar seu rival como um comunista com sangue nas mãos, disposto a promover uma guinada a esquerda e impor políticas radicais.

No primeiro turno, a principal promessa de campanha do opositor era colocar o Exército nas ruas para combater as quadrilhas conhecidas como "maras". Na reta final, ele alterou sua estratégia e passou a alertar para o risco de "venezuelização" de El Salvador.

Se confirmada, a vitória de Sánchez Ceren dá um segundo mandato consecutivo à FMLN. O vice-presidente, de 69 anos, promete ampliar os programas sociais do atual presidente, Mauricio Funes, o que inclui a distribuição de um copo de leite por dia a crianças nas escolas, além de uniformes e materiais.

A FMLN diz que suas políticas sociais no governo Funes reduziram a pobreza de 40% para 29%. Mas esses programas contribuíram com uma forte elevação na dívida nacional, e o crescimento econômico tem sido fraco. / REUTERS

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