Oposição critica nova manobra eleitoral chavista

Oposição acusa Conselho Eleitoral de fraudar dados do censo para favorecer partido do governo em eleição parlamentar deste ano

CARACAS, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2015 | 02h02

A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) criticou ontem a alteração no cálculo do número de deputados por distrito na Venezuela e acusou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de falsificar os dados populacionais de maneira aberta para favorecer o chavismo nas eleições legislativas deste ano. A MUD pediu que os dados sejam revistos, caso contrário recorrerá a instâncias internacionais.

O secretário executivo da MUD, Jesús Chuo Torrealba, disse que os dados populacionais usados para o novo cálculo de deputados por distrito têm mais a ver com uma opinião do que com uma equação. "O presidente fala de multiplicação dos peixes, do pão e agora falarão da multiplicação de eleitores", declarou Chuo.

Segundo o jornal El Universal, o CNE estuda alterar o cálculo de deputados eleitos em alguns distritos eleitorais venezuelanos. Locais com tendência de voto pró-oposição perderão assentos para regiões chavistas.

Segundo o Artigo 19 da lei eleitoral venezuelana, quando o índice Média de Deputados Por Habitantes (MDH) é igual a um, o distrito elege um deputado. Se for igual a dois, são eleitos dois parlamentares. Mas, no novo projeto, para eleger dois representantes, basta o índice ser superior a 1,5. Com isso, foram feitas as alterações nos distritos opositores - onde houve redução da população - e aumento nos chavistas, onde o número de habitantes sofreu elevação.

Foi o caso, segundo a MUD, dos distritos caraquenhos de Chacao, Baruta e El Hatillo. As regiões pró-governo que elegerão mais Estados ficam nos Estados de Aragua, Barina e Nueva Esparta.

Chuo ainda acusou o governo de alterar o número de habitantes desses distritos apenas em época de eleição legislativa. "Aposto que em 2016 essas regiões milagrosamente recuperarão população", disse o líder opositor. "Mesmo assim, o governo pode ser surpreendido nas urnas pela forte onda de rejeição a Maduro."

Ainda de acordo com o líder da MUD, representantes da coalizão viajarão aos Estados Unidos para tentar obter o envio de um organismo internacional para observar o processo eleitoral venezuelano. Eles manterão reuniões na ONU.

Chuo pediu ainda ao CNE que marque logo a data das eleições legislativas. Tradicionalmente, elas ocorrem em dezembro, mas o presidente Nicolás Maduro já sugeriu em mais de uma oportunidade que elas poderiam ser antecipadas.

Alguns líderes opositores, como o governador de Miranda, Henrique Capriles, temem que a votação possa ser cancelada.

A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) defende a realização das eleições legislativas para amenizar a crise política na Venezuela.

Vaticano. A MUD também foi ontem à sede da Nunciatura Apostólica em Caracas para pedir ao Vaticano apoio para as eleições legislativas. "Estamos aqui na nunciatura entregando um documento para exigir que a representação do Vaticano ative todos os mecanismos internacionais que estão à sua disposição para apoiar o direito do povo venezuelano", disse Chuo.

O líder opositor considera fundamental a participação de um grupo de observação internacional ao qual, segundo ele, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, é contra. "A presidente do CNE continua rejeitando que haja observação internacional na Venezuela, que exista pessoas que possam certificar a qualidade do processo eleitoral venezuelano", disse. / EFE e AFP

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