Oposição da Líbia rejeita plano da União Africana para encerrar guerra

Otan também se recusa a suspender bombardeios sobre as forças de Muamar Kadafi

estadão.com.br

11 de abril de 2011 | 12h57

BENGHAZI - A proposta de paz para a Líbia elaborada por líderes da União Africana (UA) apresentada nesta segunda-feira, 11, fracassou após tanto os rebeldes quanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) rejeitarem plano de paz.

 

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A rejeição da oposição foi comunicada pelo líder rebelde líbio Mustafa Abdul Jalil durante uma coletiva de imprensa na cidade de Benghazi, principal reduto dos insurgentes, quando voltou a pedir a deposição do ditador Muamar Kadafi. "Esta iniciativa (da União Africana) agora ficou ultrapassada. Desde o primeiro dia, a demanda de nosso povo tem sido pela queda de Kadafi e a queda de seu regime", afirmou Jalil. "Portanto, qualquer iniciativa que não inclua essa demanda do povo, demanda popular, demanda essencial, nós não podemos reconhecê-la".

 

 

Já a Otan, que bombardeia equipamentos militares do ditador sob um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) para proteger civis, emitiu uma resposta evasiva à proposta dos líderes africanos para que sejam interrompidos os ataques aéreos "para dar uma chance ao cessar-fogo". Um oficial da organização afirmou que "a indicação de um acordo de paz não tem qualquer substância neste momento", referência ao bombardeio de Misrata promovido pelas forças de Kadafi logo após a apresentação da proposta de trégua.

 

 

Jacob Zuma, presidente da África do Sul e chefe de uma missão de paz da UA, disse no início desta segunda que Kadafi aceitou um "mapa do caminho" da paz, incluindo um cessar-fogo, após conversas em Trípoli. Porém, pouco depois do anúncio forças de Kadafi bombardearam Misrata, no oeste líbio e palco de alguns dos conflitos mais sangrentos nos últimos dias.

 

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse, após o anúncio da UA de que Kadafi aceitou um plano de paz, que qualquer cessar-fogo na Líbia deve ser concreto e verificável.

 

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, também se pronunciou sobre o pedido de Zuma. O ministro ponderou que qualquer proposta de cessar-fogo na Líbia deve estar de acordo com as condições estabelecidas pela ONU. "Não deve haver nenhum cessar-fogo que não esteja completamente de acordo com as condições das resoluções do Conselho de Segurança da ONU 1970 e 1973", disse ele.

 

"Qualquer coisa que fique aquém disso será uma traição ao povo da Líbia e será usado pelo regime que anunciou duas vezes cessar-fogo sem nenhum efeito desde que começaram os combates", afirmou Hague em uma entrevista à imprensa com o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini.

Hague e Frattini afirmaram que o líder líbio Muamar Kadafi deve deixar o poder.

 

Com Reuters

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