Oposição da Síria celebra 'libertação' de cidade no norte

Estátua de Hafez Assad, pai do atual ditador, é arrancada de praça de Raqqa, região dominada por rebeldes após intensos confrontos

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2013 | 02h02

Após dias de intensos confrontos, rebeldes sírios aparentemente consolidaram ontem seu controle sobre a cidade de Raqqa, capital da província de mesmo nome, na região norte do país. Em cenas inéditas nos quase dois anos de guerra civil síria, uma enorme estátua de Hafez Assad, pai do atual ditador, Bashar, foi arrancada de uma praça da cidade, enquanto insurgentes disparavam para ao alto aos gritos de "Allahu Akbar (Deus é Maior)!".

Cidade estratégica à beira do Rio Eufrates, Raqqa representaria uma das maiores vitórias dos grupos que lutam para derrubar a ditadura de Assad. Até agora, os rebeldes não haviam conquistado nenhuma das capitais provinciais da Síria.

Do lado das forças do governo, a reconquista da vasta região no norte do país torna-se cada vez mais difícil, pois o regime de Damasco está envolvido, simultaneamente, em combates em várias frentes.

Segundo divulgou um porta-voz do Exército Sírio Livre, que luta contra Assad, as forças do regime estavam confinadas no aeroporto e no quartel-general da inteligência em Raqqa. O restante da cidade estaria nas mãos dos opositores.

Sapatadas. Em um vídeo colocado por opositores no YouTube, dezenas de homens em roupas civis, alguns com fuzis a tiracolo, acertam a estátua tombada de Hafez Assad com seus sapatos - grave ofensa no mundo árabe. Outros usaram picaretas para tentar destruí-la. A enorme efígie do ditador em pé acenando, aparentemente, foi derrubada com cabos de aço amarrados em volta do pescoço de Hafez.

Em seguida, a filmagem exibe a turba de opositores sobre uma laje, na mesma praça da estátua, tentando arrancar um enorme outdoor com a foto de Bashar Assad. A tela do letreiro acaba queimada e parcialmente destruída.

O Comitê de Coordenação Local de Raqqa - célula rebelde que cuida das operações na região - afirmou que o palácio do governador provincial havia sido tomado. Insurgentes disseram que o prédio fora "totalmente libertado", mas não está claro o que houve com os funcionários do regime.

Raqqa estava sob cerco dos rebeldes havia dias. No domingo, as forças leais a Assad abandonaram a cadeia da cidade. Após assumirem o controle do complexo, os rebeldes teriam libertado todos os presos, que se juntaram às forças de oposição.

Segundo informações dos próprios rebeldes, entre as forças que tomaram Raqqa está a Frente Al-Nusra, grupo ultrarradical ligado à Al-Qaeda. Analistas afirmam que facções fundamentalistas vêm ganhando terreno dentro da oposição síria, fortemente apoiadas, com armas e dinheiro, por monarquias do Golfo. / NYT e REUTERS

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