Oposição da Síria denuncia massacre de 220 em Hama

Segundo dissidentes, vilarejo foi atacado por helicópteros e tanques de Assad, em meio a novas negociações para um cessar-fogo

AMÃ, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2012 | 03h04

Os rebeldes da Síria denunciaram que mais de 220 pessoas foram mortas ontem por forças leais ao ditador Bashar Assad em Taramseh, na região de Hama, no oeste do país. Segundo os opositores do regime sírio, o vilarejo foi atacado por helicópteros e tanques - e milicianos pró-governo invadiram a localidade armados e executaram diversas vítimas, na maioria civis.

Segundo os opositores, membros da milícia Shabbiha ocuparam o vilarejo após o bombardeio das forças do governo e mataram moradores com disparos na cabeça. Já a TV estatal síria afirmou que três agentes de segurança do regime foram mortos durante o combate e acusou "grupos armados terroristas" de cometer um massacre na localidade.

"Mais de 220 pessoas foram mortas hoje (ontem) em Taramseh", afirmou o Conselho Revolucionário de Hama em um comunicado.

"Parece que milicianos alauitas de vilarejos vizinhos foram a Taramseh e começaram a matar a população depois que os defensores rebeldes retiraram-se de lá. Todas as famílias da localidade parecem ter vítimas. Temos nomes de mulheres e crianças", disse Fadih Sameh, ativista de Taramseh que deixou o vilarejo pouco antes da ação, mas estava em contato com os moradores.

Os relatos não puderam ser confirmados de forma independente. Se o número de mortos for confirmado, esse massacre será o pior desde o início da rebelião que tenta derrubar Assad, há 16 meses.

Ex-embaixador. Ainda ontem, o mais graduado diplomata da Síria a abandonar o regime e passar a apoiar os rebeldes desconsiderou o principal plano internacional para pôr fim à violência no país do Oriente Médio - intermediado pelo negociador da ONU Kofi Annan. Para Nawal Fares, que na quarta-feira deixou o posto de embaixador da Síria no Iraque, somente a queda do presidente seria aceitável.

"Nunca há um mapa do caminho com Bashar Assad, pois ele atrasa e ignora qualquer plano que seja combinado internacionalmente", disse Fares em uma entrevista à TV Al-Jazeera. "De nenhuma maneira ele pode ser tirado do poder a não ser pela força - e o povo sírio percebeu isso." O diplomata pediu ao Exército da Síria que "aponte suas armas contra os criminosos" do governo.

Fares tornou-se o primeiro embaixador a abandonar o governo de Assad. Em um comunicado transmitido ontem pela TV estatal síria, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o diplomata está "dispensado de seus deveres" e deverá ser "disciplinado e responsabilizado legalmente".

No dia 5, o general de brigada Manaf Tlass - filho de um ex-ministro da Defesa de Assad e considerado um homem de confiança do ditador - desertou, mas não se havia pronunciado publicamente até ontem. De acordo com o chanceler da França, Laurent Fabius, o oficial está "em contato com a oposição" síria. O francês não deu detalhes a respeito da relação do general com os rebeldes e não confirmou se o militar está ou não na França. / REUTERS e AP

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