EFE/ Miguel Gutiérrez
EFE/ Miguel Gutiérrez

Oposição da Venezuela pede retomada de diálogo com chavismo

Caracas suspendeu rodada de conversas com oposicionistas, classificando ações americanas de 'sequestro'; acusações contra Saab podem levar à pena de 20 anos de prisão

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 15h00

MIAMI — O Departamento de Justiça dos EUA confirmou que o empresário colombiano Alex Saab, apontado pela oposição venezuelana como “testa de ferro” do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comparecerá a um tribunal da Flórida nesta segunda-feira, 18, depois de ter sido extraditado de Cabo Verde a pedido das autoridades americanas, no sábado.

O incidente, classificado de sequestro pela defesa do empresário, levou o governo venezuelano a suspender a nova rodada de conversas com a oposição, prevista para começar neste domingo, no México

Ainda na noite de sábado, Jorge Rodríguez, representante do governo no diálogo, disse que a decisão de não se sentar à mesa era um “protesto contra a grosseira agressão contra a pessoa e a investidura do representante venezuelano junto à União Africana”.

Neste domingo, o líder da delegação de oposicionistas, Gerardo Blyde, pediu que Caracas reverta a decisão e retome o quanto antes o diálogo.

“Pedimos a outra parte que retome o quanto antes as sessões [de diálogo] no México”, disse Blyde, lendo um comunicado à imprensa. “Queremos abordar com profundidade os temas da agenda, porque só assim chegaremos a acordos.”

Em comunicado, a porta-voz do Departamento de Justiça, Nicole Navas Oxman, afirmou que Saab deve comparecer a um tribunal em Miami na tarde desta segunda-feira, onde ouvirá as acusações iniciais. De acordo com a imprensa local, o empresário será levado para cumprir uma quarentena obrigatória em um centro federal de detenção antes de seguir para uma penitenciária.

Apesar de ser apontado pelo governo da Venezuela como integrante de seu corpo diplomático, as autoridades americanas não reconhecem esse status e não lhe concederam imunidade. Ele estava preso desde 2020 em Cabo Verde, a pedido das autoridades americanas.

Saab e seu sócio, o também colombiano Álvaro Pulido, são acusados pela Justiça americana de terem criado uma rede de corrupção na importação e distribuição de alimentos na Venezuela, marcada por contratos superfaturados, incluindo com o governo de Nicolás Maduro.

Segundo a denúncia, ele embolsava os lucros e importava apenas uma pequena quantidade de alimentos destinados a um programa governamental de subsídios de alimentos, os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap).

O Departamento do Tesouro afirma ainda que Saab e Pulido transferiram cerca de US$ 350 milhões para contas nos EUA e outros países — a pena total para os crimes pode chegar a 20 anos de prisão. O empresário nega todas as alegações, afirmando que o processo “tem uma motivação política”, que é “derrotar o presidente Nicolás Maduro e colocar a Venezuela de joelhos”. / REUTERS E AFP

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