EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Oposição da Venezuela se reúne para debater formas de tirar Maduro do poder

Presidente venezuelano assumiu segundo mandato em meio a declarações de ilegitimidade de adversários políticos e da comunidade internacional

Redação, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2019 | 16h16

CARACAS - A oposição da Venezuela planejou um encontro público nesta sexta-feira, 11, para discutir maneiras de remover do cargo o presidente Nicolás Maduro, apenas um dia depois de ele tomar posse de seu segundo mandato. Ao mesmo tempo, alguns opositores que vivem na Espanha fizeram um apelo para que a comunidade internacional não reconheça a legitimidade do líder chavista.

Maduro foi reeleito no ano passado em uma eleição considerada fraudulenta pela oposição e por alguns países, entre eles o Brasil. Líderes do Partido Socialista, de Maduro, descrevem as críticas como interferência colonialista liderada pelos Estados Unidos.

Em entrevista coletiva em Madri, partidos e organizações civis de venezuelanos opositores pediram que a comunidade internacional não reconheça Maduro, pois consideram as eleições de maio de 2018 “um conturbado processo eleitoral”. “Esta usurpação da presidência trará efeitos tanto para a paz interna da República como para o equilíbrio democrático e econômico em todo o continente e, como tal, deve ser repudiada energicamente”, segundo um comunicado conjunto lido pelo ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

A fraturada oposição fez várias tentativas nos últimos 20 anos para tentar tirar os socialistas do poder. Nesta sexta, o líder da oposição no Congresso, Juan Guaído, disse em rede social: “A transição já começou. Nicolás Maduro é totalmente ilegítimo!”.

A Suprema Corte e a Assembleia Constituinte tiraram do Congresso os seus poderes, significando que não tem capacidade para tirar o presidente, o que ocorre em outros países.

Na quinta-feira 10, Guaído pediu que os militares do país tomassem uma decisão e desjuramentassem Maduro. Mas o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e militares do alto escalão honraram o líder socialista em uma cerimônia imediatamente depois de seu juramento em que prometeram lealdade.

Críticos de Maduro acusam-no de criar uma ditadura militar e destruir a economia. A Venezuela vive a pior crise econômica da sua história, com inflação de 2.000.000% e pessoas fugindo do país.

Maduro afirma que é vítima de uma “guerra econômica” liderada por adversários políticos com a ajuda de Washington. / EFE e REUTERS

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