Oposição de Moscou e logística dificultam ajuda a opositores

Cenário: Gustavo Chacra

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h02

A aprovação no Conselho de Segurança da ONU da criação de um corredor humanitário, sugerido pela França, para ajudar os rebeldes sírios é impossível neste momento em razão da firme oposição da Rússia, da China e de alguns países emergentes a qualquer ação que condene o regime de Bashar Assad.

"O apoio da Rússia ao regime ainda é forte e esses países ficaram irritados com a experiência na Líbia", disse Ayham Kamel, da consultoria de risco político Eurasia, lembrando que o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea no país ajudou os rebeldes a vencer a guerra civil contra Muamar Kadafi.

Ontem, em Moscou, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) manifestaram-se contra uma intervenção externa na Síria. "É absolutamente inaceitável", disse um porta-voz da chancelaria russa. "No atual momento, não precisamos de resoluções, de sanções e de pressões, mas de diálogo interno na Síria." Os emergentes ressaltam, em defesa de Damasco, que europeus, americanos e a Liga Árabe têm ignorado as ações armadas da oposição e também o apoio que Assad ainda tem no país, sobretudo na capital.

O Líbano mantém posição similar à do Brics e, mais importante, a fronteira do território próxima de Homs, para onde iria a ajuda, é controlada pelo Hezbollah, aliado de Damasco. Para atingir a cidade pela Turquia, seria preciso cruzar vilas alauitas leais a Assad. Os portos de Tartus e Latakia também são áreas que apoiam o regime. Além disso, servem de entreposto para Moscou no Mediterrâneo e os russos mantêm ali uma constante presença militar.

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