Oposição de Uganda questiona resultados das eleições

A oposição de Uganda rejeitou neste sábado os resultados das eleições de quinta-feira, que deram como vencedor o presidente Yoweri Museveni, e denunciou uma série de irregularidades que colocam em dúvida a limpeza do pleito. "Estamos completando todos os dados para entregar em um dia ou dois uma informação mais completa", declarou aos jornalistas o líder máximo da Frente para a Mudança Democrática (FDC), Kizza Besigye, que ficou em segundo lugar nas eleições de quinta-feira.A Comissão Eleitoral de Uganda proclamou hoje Museveni como presidente eleito. O presidente está no poder desde 1986 e conseguiu 59,28% dos votos, contra 37,36% de Besigye.Besigye denunciou as "torturas e detenções" de seus partidários desde o início da campanha eleitoral, e o favoritismo com que os meios de comunicação tratavam Museveni, algo também notado por observadores internacionais. "Não estava criado o palco para eleições livres e justas", acrescentou Besigye. Também criticou os erros no censo eleitoral que deixaram muitos ugandenses sem poder votar, assim como o uso oficial do Exército e da Polícia em benefício próprio. "Estamos surpresos de que alguns observadores internacionais tenham endossado este processo", acrescentou o líder da oposição, de 49 anos, que viveu exilado durante os últimos quatro anos até seu retorno ao país em 26 de outubro passado.A União Européia, em uma avaliação preliminar, disse que a votação "foi, em geral, bem administrada, transparente, competitiva e relativamente pacífica", embora também tenha ressaltado as vantagens que Museveni teve durante a campanha. Entre elas citou o uso de bens públicos para sua campanha, um uso maior nos meios públicos de comunicação e a utilização da maquinaria do Movimento, o partido único que regia em Uganda até o pleito de quinta-feira passada. Também ressaltou as ações judiciais contra Besigye quando retornou ao país, que o levaram à prisão em 14 de novembro passado, até que ficou em liberdade pagando uma fiança em 2 de janeiro.Besigye é acusado nos tribunais civis de traição e abuso sexual, e nos militares de terrorismo, acusações que, segundo seus partidários, têm motivações políticas. Besigye acrescentou que o FDC está fazendo sua própria apuração dos resultados das eleições, mas o processo é mais lento que o oficial, e até esta noite só dispunham do resultado da quarta parte das mesas eleitorais. Mas, por enquanto, "observamos grandes variações" com relação à apuração oficial, acrescentou o líder da oposição, antigo companheiro de luta e ex-médico de Museveni.Apesar de o fato de 10,4 milhões de ugandenses terem se inscrito para votar, no final apenas 68,6% desse total exerceram o direito, segundo os dados de 98,98% dos colégios eleitorais. O resto foi gente que se absteve ou que por algum problema no censo não pôde votar.Segundo os dados oficiais da apuração, houve 4,08% de votos não válidos, mais inclusive que os que reuniram os três aspirantes presidenciais de grupos minoritários, que tiveram juntos 3,35% dos votos, segundo os resultados divulgados neste sábado.

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