Oposição denuncia cumplicidade no retorno de Baby Doc ao Haiti

Até o momento, governo haitiano não se pronunciou sobre volta de ex-ditador

Efe

17 de janeiro de 2011 | 16h07

PORTO PRÍNCIPE - O Governo do Haiti não se manifestou nesta segunda-feira, 17, perante a inesperada chegada do ex-governante Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier ao país, enquanto a oposição denunciou uma suposta cumplicidade por parte das autoridades.

 

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Até agora não houve um pronunciamento oficial a respeito da presença de "Baby Doc" no Haiti, que levou a Anistia Internacional a propor ao Governo haitiano sua detenção.

 

Uma fonte governamental, que pediu para não ser identificada, disse à Agência Efe que a detenção de Jean-Claude Duvalier "poderia complicar a gestão governamental", ao criar tensões entre o grupo que reivindica justiça e o grupo que afirma que os delitos já prescreveram.

 

"Detê-lo seria adicionar outro elemento interno para um Governo que já tem complicações internacionais", expressou a fonte em referência às pressões externas que enfrenta o Governo haitiano pela crise eleitoral que vive o país.

 

Os resultados das eleições presidenciais e legislativas de 28 de novembro do ano passado foram denunciados como fraudulentos pela oposição e o segundo turno previsto para este mês foi adiado.

 

Após 25 anos exilado na França, "Baby Doc", que governou de 1971 a 1986 como herdeiro de seu pai, François Duvalier, "Papa Doc", criador de um regime ao que se considera responsável pela morte de milhares de opositores e do desvio de recursos significativos do país durante 29 anos, retornou no último domingo a Porto Príncipe sem aviso prévio.

 

Os advogados de Duvalier sustentam que o prazo das vítimas para reivindicar ações judiciais já venceu.

Segundo a imprensa local, "Baby Doc" afirmou que sua presença no país era "para ajudar à nação".

 

Quanto à interpretação política da chegada do ex-líder, a fonte governamental acredita que sua presença no país "não terá incidência política real".

 

"Para mim é um tema que tem uma importância midiática, sim. No entanto, amanhã já não será mais notícia. Sua esposa disse que vieram por três dias", declarou.

 

A fonte destacou que seus seguidores nem sequer prepararam um "comitê de boas vindas ao líder" e só alguns grupos de jovens se concentraram no aeroporto perante a notícia de sua chegada.

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