Oposição denuncia irregularidade nas eleições argentinas

Alguns candidatos da oposição ao governo da Argentina denunciam irregularidades nas eleições parlamentares que estão sendo realizadas neste domingo. As denúncias são relacionadas à suposta falta de cédulas oficiais contendo as listas de cada uma das legendas e sublegendas partidárias. Pelo sistema eleitoral da Argentina, os responsáveis pela confecção, distribuição e reposição das cédulas, chamadas no país de "boletas", são os próprios partidos. Cada um tem a sua cédula oficial que é distribuída às sessões eleitorais pelos fiscais do partido.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 17h57

A coligação entre peronistas dissidentes do Partido Justicialista (PJ) e Proposta Republicana (Pro), Unión-Pro, afirma que "há sistemas montados para tentar furtar e rasgar as cédulas" com os nomes de seus candidatos. O Acordo Cívico e Social (ACyS), coligação entre a União Cívica Radical (UCR) e a Coalizão Cívica denuncia que faltam cédulas de sua lista de candidatos nas sessões eleitorais porque foram furtadas. Denúncia similar foi feita pelo candidato do Projeto Sul, Fernando Pino Solanas, e pelo vice-presidente Julio Cobos.

O vice-presidente, que disputa o poder político em Mendoza, sua província natal, com candidatos aliados contra os governistas, afirmou que faltavam cédulas dos candidatos de oposição nas principais sessões. Jorge Macri, candidato do Unión-Pro, afirmou que "estão misturando cédulas falsas e de outros distritos e isso está gerando muito conflito". O candidato a vereador do ACyS pelo distrito de La Matanza, Gustavo Ferragut, reclamou que "o poder da máquina estatal está nas sessões eleitorais para favorecer o governo e seus candidatos".

Os juízes da Câmara Nacional Eleitoral afirmam que não existe possibilidade de fraude nas eleições, mas os analistas explicam que há margem para pequenas manobras, as quais podem fazer diferença em uma eleição acirrada como na Província de Buenos Aires. Nesse distrito eleitoral, votam quase 38% dos eleitores argentinos. A diferença entre os candidatos a deputado Néstor Kirchner, da Frente para a Vitória, sublegenda do PJ que apoia a presidente Cristina Kirchner e seu marido, e o empresário e deputado Francisco De Narváez, do Unión-Pro, é de apenas três pontos porcentuais, segundo as pesquisas.

As manobras com as cédulas podem chegar a alterar o resultado em três ou quatro pontos porcentuais, conforme cálculos da oposição. Há um ano que a Câmara Eleitoral pede uma reforma política que inclua a adoção do sistema de cédula única. Na quinta-feira, os juízes eleitorais alertaram que não foram tomadas as medidas necessárias para tornar o processo eleitoral mais transparente.

Em 2007, nas eleições presidenciais, a candidata Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica que ficou em segundo lugar, denunciou "a falta sistemática de cédulas". O ex-ministro de Economia, Roberto Lavagna, que também foi candidato, afirmou que as cédulas com seu nome desapareceram das sessões. Para o ministro do Interior, Florencio Randazzo, falar de fraude "é uma irresponsabilidade".

Desde 2003, foram apresentados no Congresso argentino 40 projetos de lei para implementar o voto eletrônico no país, mas nenhum chegou a ser discutido. Por enquanto, o voto eletrônico não passa de provas piloto que vêm sendo realizadas há seis anos. Hoje, mais uma prova está sendo feita, nos distritos de La Plata, Berisso, Almirante Brown e Bahia Blanca. Para os defensores do atual sistema, "o sistema de voto eletrônico não dá garantias de segurança na Argentina", como já disse o ministro de Justiça, Aníbal Fernández.

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