Oposição derrota Mugabe no Parlamento

Líder opositor diz ter vencido eleição presidencial; governo do Zimbábue nega

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2008 | 00h00

Os resultados oficiais das eleições gerais de sábado no Zimbábue, divulgados ontem, confirmaram que o presidente Robert Mugabe e seu partido (Zanu-PF) perderam a maioria no Parlamento - o que intensificou a pressão da oposição, que alega ter vencido também a disputa presidencial. Os opositores obtiveram 105 das 210 cadeiras do Parlamento. O Zanu ficou com 94 e as restantes ainda estão indefinidas. Enquanto os zimbabuanos aguardam, frustrados, o governo divulgar ao menos os resultados iniciais da votação para presidente, a oposição declarou oficialmente ontem ter vencido a disputa. Segundo uma apuração paralela feita pelo opositor Movimento pela Mudança Democrática (MMD), seu candidato - Morgan Tsvangirai - obteve 50,3% dos votos e por isso venceu no primeiro turno. Mugabe, que controla o país há 28 anos, teria obtido 43,8%, e Simba Makoni, outro opositor, teria ficado com o restante. Ao mesmo tempo, o jornal estatal Herald afirmou pela primeira vez que Mugabe não venceu no primeiro turno e nenhum candidato havia obtido a maioria dos votos. Na véspera, uma outra contagem de votos paralela, realizada por um grupo de ONGs, indicou que haveria segundo turno, já que Tsvangirai teria 49% e Mugabe, 42%.Uma observadora estrangeira das eleições afirmou à agência Associated Press que o um funcionário do Zanu-PF lhe disse que o partido usaria "todas as armas" para garantir uma vitória no segundo turno. A oposição já havia dito que se a disputa fosse para o segundo turno, teria uma votação ainda maior, já que contaria com o apoio de Makoni. Segundo a Constituição, o segundo turno deve ocorrer três semanas após o primeiro.Considerado o último grande ditador africano, Mugabe é acusado de manipular eleições anteriores, promover a violência e perseguir a oposição. Suas políticas econômicas desastrosas nos últimas anos obrigam a população a enfrentar desafios como uma inflação anual que ultrapassa os 100.000% ao ano.

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