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Oposição faz ato contra Maduro em Caracas e desafia proibição

Manifestantes atenderam pela terceira semana consecutiva à convocação do líder opositor Henrique Capriles, que pediu apoio de militares ao referendo

O Estado de S. Paulo

25 Maio 2016 | 19h15

CARACAS - Cerca de 500 partidários da oposição ao chavismo saíram nesta quarta-feira, 25, às ruas de Caracas para pedir a realização de um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro. Os manifestantes desafiaram a proibição do Tribunal Superior de Justiça (TSJ) a atos políticos em frente ao Conselho Nacional Eleitoral(CNE), responsável pelos trâmites do referendo.

Os manifestantes atenderam pela terceira semana consecutiva à convocação do líder opositor Henrique Capriles, governador de Miranda e um dos principais apoiadores do referendo dentro da Mesa da Unidade Democrática (MUD), para protestar para que o CNE acelere o processo. Policiais reforçaram a parte oeste de Caracas com equipamento antimotim. 

“Não há nenhuma sentença judicial que nos impeça de ir ao CNE exigir que a Constituição seja respeitada”, disse Capriles. O efetivo policial diante do prédio, no entanto, não foi grande. 

Os opositores aproveitaram o ato também para criticar a grave escassez de alimentos e remédios que afeta o país. “Temos de seguir com a pressão nas ruas”, disse a manifestante Daniela Huizi. “Protesto com medo, mas esses atos são importantes. Não fosse a força das armas, eles não teriam nada.”

A MUD lançou em abril a campanha pelo referendo e colheu 1,8 milhão de assinaturas pela abertura do processo, número bem maior que as 200 mil necessárias. O CNE, no entanto, tem atrasado o processo e deve terminar de analisá-las em 2 de junho. 

A oposição acusa o governo de atrasar propositalmente o processo para impedir que o referendo seja realizado neste ano. A Constituição venezuelana estabelece que, se a votação for feita até a metade do mandato, convocam-se novas eleições. A partir do ano que vem, em caso de derrota, Maduro daria lugar a seu vice, no caso, o chavista Aristóbulo Istúriz. 

Militares. De boné, acompanhado por deputados e prefeitos, Capriles em seu discurso mandou um recado aos militares. O governador disse não ser do interesse da MUD dar um golpe de Estado em Maduro, como acusa o presidente, e lembrou que o revogatório é uma ferramenta prevista na Constituição de 1999. 

“Está na hora de os militares decidirem se estão com a Constituição ou se estão com Maduro. Não queremos um golpe, queremos que vocês defendam a Constituição”, discursou o líder opositor. 

A MUD considera as mobilizações de rua sua principal arma para pressionar o governo pela realização do referendo. 

A adesão, no entanto, tem sido baixa. O ato da semana reuniu 2 mil pessoas. O do dia 11 de maio, mil. “A única alternativa da oposição para pressionar pelo referendo são esses protestos pacíficos de rua”, disse o cientista político Hector Briceño. Líderes chavistas dizem que a votação não ocorrerá neste ano. / AFP

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