Oposição deve perder seu principal espaço na TV aberta

Cenário: Felipe Corazza

O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h10

Trabalhadores da Globovisión, emissora de TV crítica do chavismo, aguardam o resultado da eleição de hoje com atenção especial. O canal foi vendido para o empresário do setor financeiro Juan Domingo Cordero, visto como simpatizante do governo.

Em visita à emissora, o Estado conversou com funcionários que falam em uma possível "debandada" após uma provável vitória do chavismo e a quase certa mudança da linha editorial da casa.

"Há muita gente que não concordaria com as novas diretrizes da emissora. Conheço muitos que já dizem que sairão assim que o processo se iniciar", afirmou uma das trabalhadoras.

A mesma funcionária demonstrava tristeza com a polarização radical do país. "Ontem (sexta-feira), depois do trabalho, passei pelas ruas e vi as pessoas gritando e se ofendendo. Cheguei em casa muito triste. Precisamos de união no país."

Desde a quinta-feira, a sede da empresa, no bairro de La Florida, em Caracas, é vigiada por policiais. Na sexta-feira, os guardas foram trocados por militares do Plano República - esquema especial para as eleições.

A vigilância é rotineira e feita em todos os grandes veículos de comunicação em épocas tensas. "Quando anunciaram a morte de Chávez, passaram quase três semanas aqui na porta", afirma um dos seguranças privados da emissora.

Sobre a venda, outros jornalistas e empregados lamentam e temem pelo futuro. "Não sabemos quem vai ficar. A diretoria deve ser toda trocada, é natural. Não há o que fazer. Agora, é só esperar", disse um cinegrafista.

Na saída, outra jornalista fumava e contava o que espera sobre as mudanças na Globovisión. Apontando para o efetivo de segurança especial do outro lado da calçada, suspirou e disse: "Hoje, estão ali. Logo, vão estar do lado de dentro, comandando o show".

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