Scott Nelson/The New York Times
Scott Nelson/The New York Times

Oposição deve ser chamada para gabinete egípcio

Militares garantem que referendo para aprovação de reforma constitucional poderá ser feito dois meses depois da apresentação do texto

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

A cúpula militar e o governo civil do Egito deram sinais de que vão adotar medidas rapidamente em várias frentes para assegurar a transição do país para a democracia. O Conselho Supremo das Forças Armadas previu que a reforma da Constituição poderá ser submetida a referendo dois meses depois da elaboração da proposta. Líderes oposicionistas poderão em breve ser convidados a integrar o gabinete.

A Grã-Bretanha recebeu pedido para congelar os bens do ex-presidente Hosni Mubarak, que renunciou na sexta-feira depois de governar durante 30 anos, ao fim de 18 dias de protestos que mobilizaram milhões de pessoas em todo o país.

O diretor de Marketing do Google para o Oriente Médio, Wael Ghonim, e o ativista Abdel-Rahman Samir participaram de uma reunião na noite de domingo com dois generais do Conselho Supremo. Os militares lhes asseguraram que, uma vez concluídas as propostas de reformas constitucionais - elaboradas por um grupo de juristas-, será marcado o referendo, dali a dois meses, para a população aprovar ou não as mudanças.

As propostas abrirão caminho para a realização de eleições livres dentro de seis meses. Uma fonte do Exército citada pela agência Reuters confirmou o prazo de dois meses para o referendo e disse que as prioridades agora são restaurar a ordem e reativar a economia.

Os generais encorajaram os jovens a criar novos partidos políticos. Em reuniões na Praça Tahrir, epicentro dos protestos, essa ideia já havia ganhado força. Poucos partidos tradicionais devem sobreviver à chamada "Revolução", que derrubou o regime Mubarak. Segundo analistas ouvidos pelo Estado, apenas têm chances a legendas que fizeram oposição mais frontal ao governo Mubarak e boicotaram as eleições parlamentares de dezembro, como Al-Wafd, Al-Ghad e Al-Gabha, todas consideradas "liberais".

A Irmandade Muçulmana, banida como partido formal, também deve emergir como uma das principais forças eleitorais. O Partido Nacional Democrático, de Mubarak, teve seu enterro simbólico no incêndio que destruiu sua enorme sede, na beira do Rio Nilo, dia 28. Outros partidos que serviam de satélite do regime, em geral de esquerda, também devem desaparecer, como o Tagamoa e o Al-Nasery, inspirado nas ideias do ex-presidente Gamal Abdel Nasser.

O premiê Ahmed Shafiq deve chamar líderes oposicionistas para participar do gabinete.

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