Oposição diz já ter assinaturas para referendo contra Chávez

A oposição, eufórica pela grande participação dos eleitores, encerrou hoje o último dos quatro dias de recolhimento de assinaturas solicitando um referendo revogatório contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez. O opositor e editor do jornal El Nuevo País, Rafael Poleo, informou hoje em seu diário que a oposição recolheu até o domingo as 2,4 milhões de assinaturas suficientes para solicitar o referendo - 20% de 12 milhões de eleitores. O editor disse que o governo, que realizou coleta de assinaturas uma semana antes para tentar revogar o mandato de 38 deputados opositores, "dificilmente chegará a 1,5 milhão". A oposição venezuelana foi advertida hoje que somente o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) poderá emitir cifras sobre o número de assinaturas coletadas. Os líderes opositores haviam divulgado projeções e sugerido que se havia superado o número de assinaturas necessárias para convocar a consulta popular. A oposição pretendia divulgar hoje à noite o número de assinaturas recolhidas após o fechamento dos centros de coleta. O CNE analisará uma a uma as assinaturas apresentadas pelo governo e pela oposição para depois anunciar as cifras oficiais. O vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel, afirmou hoje que a oposição não conseguiu recolher as assinaturas necessárias contra Chávez e denunciou que está sendo preparado "um terceiro golpe" no país, por meio de uma "megafraude". "Esta conduta da liderança opositora repete o mesmo formato de episódios anteriores, podemos estar diante de um terceiro golpe, assim como o golpe militar de abril de 2002 e posteriormente o petrolífero de dezembro a janeiro", disse Rangel à imprensa. "Persiste uma tendência golpista e terrorista no país, temos antecedentes", declarou, indicando que a oposição pretende deformar as características de um processo cívico. Os líderes da oposição, por sua vez, disseram que a onda de denúncias de fraude lançadas por Chávez contra o processo de coleta de assinaturas evidencia "medo" e "pouca tolerância democrática". Os eleitores fizeram filas nos quatro dias e em muitos centros de recolhimento em Caracas e no interior do país esgotaram-se as planilhas de coleta de assinaturas. Observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Centro Carter disseram que o processo ocorreu sem problemas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.