Oposição diz que conversa 'para valer' não começou no Egito

O maior grupo opositor no Egito, a Irmandade Muçulmana, disse na quarta-feira que vai se aferrar à exigência de que o presidente Hosni Mubarak deixe o poder nas conversas com as autoridades que muitos da oposição temem ser um engodo.

ANDREW HAMMOND, REUTERS

09 de fevereiro de 2011 | 16h22

A Irmandade e outros grupos de oposição começaram a conversar nesta semana com o vice-presidente Omar Suleiman sobre as reformas políticas prometidas durante as duas semanas de protestos contra o governo de 30 anos de Mubarak.

Essam al-Erian, um membro importante da Irmandade, no entanto, afirmou que eles ainda teriam de falar sobre a questão central. "As conversações reais sobre transferência de poder não começaram", disse ele numa entrevista coletiva.

"Essa é uma luta contra a teimosia de um homem", disse ele, referindo-se a Mubarak, aliado dos Estados Unidos. "Todo mundo diz que ele não tem autoridade e está fora do governo. Como uma pessoa insiste contra a vontade de 80 milhões (de egípcios)?"

Saad al-Katatny, que representou a Irmandade nas conversações com Suleiman, disse que uma segunda reunião ocorreria em alguns dias, mas ela continuaria preliminar.

"Temos de ter paciência antes do início das conversas de fato. O ponto principal é que as conversações sejam sérias quando elas começarem", afirmou ele.

A Irmandade, há muito tempo retratada ao Ocidente como uma ameaça, está entre o desejo de negociar com as autoridades e o de cumprir as demandas dos manifestantes das ruas.

Suleiman disse que as conversações entre o governo e a oposição são uma "oportunidade valiosa" para a Irmandade e que o grupo não deveria deixar passar.

O grupo já chegou a dizer que não conversaria de forma nenhuma com Suleiman e afirma que não buscará a presidência nas eleições que devem ocorrer em setembro.

Os despachos diplomáticos norte-americanos publicados pelo WikiLeaks indicam que Washington acredita que Suleiman, o chefe da inteligência do Egito que demonizava a Irmandade, seja o preferido de Israel para suceder Mubarak.

O governo egípcio espera que as negociações sobre as reformas política e constitucional acalmem os protestos e ajudem a enfraquecer a exigência de renúncia de Mubarak. O governo diz que a recuperação econômica precisa do fim da agitação no centro do Cairo.

Na terça-feira, os egípcios protagonizaram uma das maiores manifestações até agora na praça Tahrir e os organizadores planejam novos protestos na sexta-feira.

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