Oposição diz que não aceitará Iraque "fantoche" dos EUA

Um líder do maior grupo oposicionista iraquiano disse ser bem-vinda a ajuda internacional - inclusive dos EUA - para derrubar o presidente do Iraque, mas adiantou que não aceitará um governo fantoche dos EUA no lugar de Saddam Hussein. Mohammed Baqir al-Hakim, líder do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque, baseado em Teerã, capital do Irã, afirmou à Associated Press que tanto seu grupo quanto os Estados Unidos querem o afastamento de Saddam, mas diferem sobre como alcançar o objetivo."Nossa solução preferida é que vários milhares de nossas forças derrubem Saddam com o apoio político e militar da comunidade internacional, incluindo os EUA", explicou Hakim na sede de seu grupo no centro de Teerã. Iraquianos xiitas armados guardam seu complexo.Hakim relatou que os americanos aceitaram uma solução democrática para um Iraque pós-Saddam, e ele espera que Washington mantenha sua promessa."Em conversações, os americanos concordaram em que o futuro governo iraquiano seja um governo eleito e não um imposto ao povo. Eles também concordaram em que um governante militar não funcionaria, e o futuro governo deveria ter laços amigáveis com todos os países vizinhos. Esperamos que os americanos mantenham a promessa", disse.O secretário de Estado americano, Colin Powell, tem dito que os EUA estão considerando um governo, imediatamente após Saddam, que lembre o do Japão pós-Segunda Guerra Mundial, quando o país foi administrado por um governo militar liderado por um comandante americano. Outra opção, segundo Powell, seria a ocupação tipo a do pós-guerra na Alemanha.Hakim garantiu que o povo iraquiano não aceitaria um regime títere dos EUA depois que Saddam for afastado, e que Washington não se beneficiaria ao impor um governante ao Iraque.O Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque é um dos vários grupos oposicionistas iraquianos que se reuniram com autoridades da administração Bush, em agosto, para discutir que papel eles teriam se houver um ataque de Washington a Bagdá.A abertura de Hakim aos EUA contrasta com as relações entre Washington e o país que deu abrigo a ele. O Irã não tem relações com os EUA, e o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, tem rejeitado qualquer discussão com Washington.O Irã se opõe a uma ação militar dos EUA contra o Iraque. O Irã e outros vizinhos do Iraque temem que um ataque americano provoque a desintegração do território iraquiano e a criação de um Estado curdo, que encorajaria aspirações separatistas entre os curdos na Síria, Irã e Turquia. Além disso, o Irã teme que um Iraque pós-guerra venha a ser mais um Estado pró-EUA nas suas fronteiras.

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