Oposição diz ter 2 milhões de assinaturas contra Chávez

Pelo menos dez pessoas ficaram feridas quando as forças de segurança dispersaram, com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha, um grupo de simpatizantes do governo que montou uma barricada para impedir a passagem de uma marcha da oposição. Os opositores entregaram um documento com, segundo eles, mais de 2 milhões de assinaturas para pedir a realização de um referendo, em dezembro, sobre a permanência do presidente Hugo Chávez no poder.Policiais e membros da Guarda Nacional formaram um cordão de segurança ao redor dos irados partidários de Chávez. Eles dispararam balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os "chavistas" e impedir um choque entre oficialistas e os opositores que seguiram até a sede do Conselho Nacional Eleitoral.O chefe do Corpo de Bombeiros, Rodolfo Briceño, confirmou que dez pessoas foram feridas por armas de fogo. O prefeito metropolitano de Caracas e líder opositor, Alfredo Peña, encabeçou a marcha e foi alvo dos ataques com paus e pedras dos "chavistas".Chávez, pressionado por uma queda de sua popularidade e uma dura crise econômica e social, insiste no diálogo com a oposição e tenta adiar a consulta popular até agosto de 2003.O vice-presidente José Vicente Rangel qualificou a marcha opositora como um "ato cívico normal", respeitado pelo governo. "Espero que este ato sirva para fortalecer ainda mais a democracia", disse Rangel à tevê oficial, advertindo, contudo, que se deve ter cuidado para não incorrer em uma "fraude constitucional" ao promover uma consulta popular não prevista na Constituição.Rangel disse que o governo espera sentar-se, entre quarta e quinta-feira, com a oposição para definir uma agenda de diálogo com a presença do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria.O governo defende a idéia de que o referendo só é possível, de acordo com a Constituição, ao completar-se a metade do mandato presidencial de seis anos, o que no caso de Chávez ocorrerá em agosto de 2003. A oposição, por sua vez, destaca que a Constituição permite a realização de um referendo consultivo com o recolhimento das assinaturas de pelo menos 10% (1,2 milhão) dos eleitores.

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