Oposição diz ter capturado três vilas no Afeganistão

A frente oposicionista Aliança do Norte anunciou nesta terça-feira ter conquistado as aldeias de Ogopruk e Keshende, cerca de 45 quilômetros ao sul da estratégica cidade afegã de Mazar-i-Sharif, depois de vários dias de intensos combates.No dia anterior, as tropas informaram ter tomado o distrito de Zari Bazar, na mesma área - localidade que mudou de mãos várias vezes desde maio. O avanço teria sido possível depois que a aviação norte-americana bombardeou continuamente a linha de frente da milícia Taleban para facilitar a passagem dos soldados da aliança."Nós atacamos enquanto os norte-americanos estavam bombardeando", disse Ashraf Nadeem, um porta-voz da aliança. "Não fomos só nós que matamos. A maioria foi morta pelos americanos".A operação foi realizada em conjunto com o comandante usbeque Rashid Dostam. A aliança é formada por várias etnias minoritárias no Afeganistão enquanto o Taleban tem o apoio da mais importante, a pashtun.O objetivo da frente é tomar Mazar-i-Sharif, importante entroncamento no norte, para estabelecer uma rota de suprimentos desde os vizinhos Tajiquistão e o Usbequistão. A captura também eliminaria uma das vias de apoio de militantes islâmicos ao Taleban.Nadeem garantiu que 300 combatentes talebans morreram e 300 desertaram para a oposição, e disse que cinco guerreiros da aliança morreram e nove ficaram feridos. A informação não pôde ser independentemente confirmada e o Taleban não quis comentar a notícia.Em Washington, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, também negou-se a confirmar que a oposição teria conseguido avanços nas proximidades de Mazar-i-Sharif. "Existem tantas notícias sobre essa vila ou aquela vila", afirmou ele no Pentágono. "Gosto de ver a poeira baixar e ver onde as vilas estão ao fim de um certo período e depois de uma pausa".Nas últimas semanas, os dois lados têm conquistado e perdido vilas ao redor de Mazar-i-Sharif. Mas apesar das últimas declarações da oposição, ela não tem conseguido grandes avanços em direção a Mazar-i-Sharif e permanece bem ao sul da cidade enquanto o inverno se aproxima.No sul do território usbeque cerca de 2 mil militares norte-americanos estão estacionados na base de Khanabad, oficialmente para atuar em operações de resgate e ajuda humanitária. Essa cidade foi tomada pelos talebans em 1998. Coincidentemente, Khanabad fica perto de Termuz, a porta de entrada das tropas soviéticas que invadiram o Afeganistão em 1979.A Agência Afegã de Notícias (AIP), ligada ao Taleban, divulgou seu balanço de um mês de bombardeios: 633 civis mortos, de 800 a mil feridos, e quatro aviões dos EUA abatidos. O Pentágono nega a perda de aparelhos e qualifica de exageradas as denúncias de mortes entre a população.Os ataques norte-aéreos americanos também se concentraram em outras áreas da região norte e ao redor da base aérea de Bagram, ao norte de Cabul. Esse aeroporto está sob controle da aliança, mas não pode ser usado porque a milícia taleban está entrincheirada nas montanhas ao redor. O Pentágono está usando bombardeiros B-52 que despejam bombas de 250 e 500 quilos e no fim de semana passou a jogar a maior de seu arsenal, de 6.800 quilos.O Taleban exibiu na segunda-feira sobre um caminhão circulando pelas ruas de Cabul parte dos destroços de um aparelho que, segundo a milícia afegã, era um helicóptero derrubado no sábado por seus homens, numa ação em que teriam morrido quatro norte-americanos. "Não se preocupem", gritava um combatente num alto-falante. "Nós vamos derrotar os americanos e seus aliados."Os EUA negam essa informação e dizem que um de seus helicópteros caiu na semana passada por acidente causado pelo mau tempo no território afegão perto da fronteira paquistanesa, ferindo quatro soldados resgatados por outro aparelho. O helicóptero acidentado foi destruído depois pela aviação americana, segundo o Pentágono, para evitar que a milícia se apossasse de equipamentos sofisticados.Rumsfeld também informou que o número de tropas de forças especiais dos EUA dentro do território afegão mais que dobrou na última semana. Ele não quis dar números, mas oficiais do Pentágono disseram que os soldados norte-americanos no Afeganistão não passam de 100.Leia o especial

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