Oposição do Camboja pede investigação sobre eleições

Apesar de conquistar bons resultados nas eleições deste domingo, a oposição do Camboja rejeitou os resultados das urnas devido a "graves irregularidades" e pediu apoio internacional para uma investigação. A votação foi bastante disputada, mas deu a vitória ao primeiro-ministro Hun Sen e manteve o Partido do Povo Cambojano (PPC) no poder.

AE, Agência Estado

29 de julho de 2013 | 11h13

Os resultados preliminares, no domingo, mostraram que o PPC ganhou 68 dos 123 assentos parlamentares, já o Partido de Resgate Nacional do Camboja (PRNC), de oposição, ficou com 55. O partido governista ganhou 90 assentos em 2008, enquanto os grupos de oposição - que se fundiram no ano passado para formar o PRNC - conquistaram 29 cadeiras há cinco anos.

Os resultados oficiais devem ser divulgados ainda nesta semana, mas o PRNC afirmou que há sinais suficientes de uma provável manipulação eleitoral para justificar uma investigação completa.

Em uma coletiva de imprensa, líderes do Partido de Resgate Nacional do Camboja pediram que a comissão eleitoral do país analisasse as alegações de uma fraude generalizada na disputa eleitoral.

"Não aceitamos os resultados das eleições proclamados [pela comissão eleitoral do Camboja] ou por outro partidos, porque há muitas irregularidades com implicações de longo alcance que distorceram a vontade do povo", disse o líder do PRNC, Sam Rainsy, a jornalistas.

Cerca de 1,2 milhões a 1,3 milhões de eleitores tiveram a chance de votar negados por causa de irregularidades nas listas de eleitores, afirmou Rainsy. Ele estima também que houve cerca de 1 milhão de eleitores "fantasmas" nos cadernos eleitorais e cerca de 200 mil nomes duplicados.

Autoridades do PPC e do Comitê Eleitoral Nacional não estavam disponíveis para comentar. O partido governista desafiou os opositores a apresentarem provas de fraude à comissão eleitoral - uma agência nominalmente independente, que é liderada por funcionários intimamente ligados ao PPC.

Rainsy também disse que seu partido não vai negociar com Hun Sen e com o PPC por lugares no governo do Camboja, apesar de assegurar a oposição mais forte desde 1998.

Rainsy pediu à Comissão Eleitoral Nacional que iniciasse uma investigação conjunta ao lado de peritos eleitorais independentes e representantes das Nações Unidas, a sociedade civil, assim como o PPC e o PRPC.

Ele estabeleceu o prazo de 31 de agosto para esta investigação, mas não entrou em detalhes sobre o que poderia acontecer depois. Fonte: Dow Jones Newswires.

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