Oposição do Iêmen aceita plano internacional para transição

Proposta dos países do Golfo Pérsico prevê saída do presidente Saleh em 30 dias

Reuters

25 de abril de 2011 | 19h21

SANAA - A oposição do Iêmen aceitou participar do governo de transição previsto num plano de paz que levará à renúncia do veterano presidente Ali Abdullah Saleh, disse uma fonte oposicionista nesta segunda-feira, 25, à Reuters.

 

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Aliados árabes e ocidentais do Iêmen vinham tentando mediar uma solução para a crise que já dura três meses, na qual manifestantes, inspirados pelas recentes rebeliões do Egito e da Tunísia, exigiam a renúncia de Saleh, há 32 anos no poder.

 

 

Pela proposta feita pelo Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Saleh pode permanecer no poder por mais 30 dias. A oposição inicialmente rejeitou participar de um governo de unidade nacional, mas na segunda-feira mudou de ideia, segundo a fonte que falou à Reuters em nome de uma coalizão que reúne oposicionistas islâmicos e de esquerda.

 

"Depois de receber esclarecimento por parte do (Conselho de Cooperação do) Golfo, concordamos com a iniciativa e com participar de um governo de unidade nacional", disse a fonte. O plano ainda não foi formalmente aceito. Uma recusa da oposição em participar poderia frustrar a proposta, e fontes da oposição disseram à Reuters que, numa reunião no domingo, o embaixador dos EUA havia pressionado o grupo a aderir totalmente.

 

Vendo-se abandonado por aliados políticos, o líder iemenita concordou em princípio com a proposta feita por chanceleres do CCG para que deixe o cargo em troca de imunidade contra processos, o que beneficiaria também sua família e assessores. Mas analistas dizem que permitir a permanência de Saleh por mais um mês pode dar margem a mais turbulências no país, o mais pobre e instável da Península Arábica.

 

O risco de caos no Iêmen causa grande preocupação para a Arábia Saudita e os EUA, que temem o fortalecimento de uma facção local da organização terrorista Al-Qaeda.

 

Apesar da aceitação do plano, porém, os protestos continuaram am várias cidades do país. Três pessoas morreram devido à reação violenta da polícia ante as manifestações, disseram testemunhas.

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