Ammar Awad/Reuters
Ammar Awad/Reuters

Oposição do Iêmen alerta para 'guerra civil'

Confrontos em várias cidades iemenitas entre forças do regime e tribos dissidentes deixam 28 mortos; EUA retiram diplomatas

AP, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Em meio a uma assustadora escalada na violência, combates no Iêmen entre opositores e forças leais ao presidente Ali Abdullah Saleh deixaram ontem pelo menos 28 mortos. Nos últimos quatro dias, o número de iemenitas assassinados teria passado de 110. Uma coalizão de forças tribais que se opõem ao presidente deu um ultimato e anunciou que, caso Saleh não deixe o poder imediatamente, o Iêmen enfrentará uma "guerra civil".

O descontrole nas ruas da capital, Sanaa, em Áden e várias outras cidades iemenitas fez o Departamento de Estado dos EUA ordenar a retirada de todo o pessoal diplomático americano "não essencial". Medida semelhante foi tomada pela Grã-Bretanha, enquanto Alemanha e França alertaram turistas a não viajar ao país árabe.

O ultimato da coalizão opositora - liderada pela maior tribo iemenita - demonstraria que forças antirregime estão convencidas de que podem derrotar Saleh. Mas o presidente já havia garantido na quarta-feira que "lutaria até o fim" para cumprir o restante de seu mandato, que se encerrará em 2012. Saleh está no poder há 32 anos.

Segundo relatos, soldados do regime abriram fogo com peças de artilharia e granadas de morteiro contra manifestantes nos arredores da capital. Milhares de civis teriam tentado abandonar Sanaa ou se esconder em porões em busca de proteção.

No Iêmen, líderes tribais têm direito a ordenar a seus respectivos clãs que obedeçam suas ordens diretas acima de qualquer outra autoridade. Dessa forma, vários militares teriam desertado sob comando dos chefes de sua tribo.

Ampliação. Sadeq al-Ahmar, líder do maior clã do Iêmen, os hashid, afirmou que Saleh não tem mais opções e, caso não abandone o poder, "arrastará o país para a guerra civil".

A mais recente onda de violência no Iêmen teve início na segunda-feira, depois que tropas de Saleh tentaram invadir o complexo de Al-Ahmar, no centro de Sanaa. Ontem, os combates já chegavam até a região do aeroporto, na periferia da capital.

O Iêmen é hoje o principal reduto da Al-Qaeda no Oriente Médio. Mas, até agora, não há indícios de que militantes da rede terrorista estejam participando dos distúrbios.

O governo americano voltou a expressar preocupação com a instabilidade no país. "Condenamos a violência contra manifestantes", afirmou Ben Rhodes, integrante do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca.

Ele enfatizou que o presidente iemenita deve aceitar o acordo proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo, grupo de países árabes que tenta mediar a crise. Segundo a proposta, Saleh deixaria o poder em benefício de um conselho tribal e receberia anistia.

O chanceler da Grã-Bretanha, William Hague, afirmou ontem que estava "chocado com os relatos de mortes em Sanaa". Catherine Ashton, número 1 da diplomacia europeia, também condenou a violência.

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