Oposição do Iêmen rejeita plano do governo para negociação

Vice-presidente diz que acordo seria anunciado em uma semana; rebeldes negam conversas

Reuters

25 de julho de 2011 | 15h55

SANAA - A oposição do Iêmen rejeitou nesta segunda-feira, 25, um plano do governo para negociações destinadas a aplacar a insurreição, depois de meses de protestos populares exigindo a derrubada do presidente Ali Abdullah Saleh, alegando que nem mesmo ouviu nada sobre um plano de paz.

 

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O vice-presidente Abd-Rabbu Hadi Mansour, que é o presidente interino enquanto Saleh permanece em um hospital da Arábia Saudita depois de ficar gravemente ferido em um ataque tribal contra o palácio do governo, disse no domingo que o mapa do caminho seria lançado dentro de uma semana. O porta-voz do governo Tareq al-Shami disse que o plano teria como foco conversações com a oposição. "O mapa do caminho está baseado em todos os lados se reunindo numa mesa de diálogo e debatendo todas as questões", afirmou ele.

 

A oposição, porém, reiterou sua recusa em conversar com o governo antes que Saleh assine um plano de transição proposto pelos países do Golfo Pérsico, o qual o presidente de 69 anos já evitou assinar três vezes. "Não sabíamos de nada sobre a ideia de um mapa do caminho. Não há nada disso, e decidimos não dialogar até que a iniciativa do Golfo seja assinada ou que o poder seja transferido ao vice-presidente", disse Mohammed Basindwa,o líder da coalizão da oposição no Iêmen.

 

 

Saleh tenta se manter no poder após 33 anos no governo, apesar de ter sido gravemente ferido em junho num ataque a bomba e forçado a se tratar em Riad. Ele frustrou as esperanças da oposição de que admitiria a derrota, em vez de prometer retornar ao Iêmen e liderar um diálogo nacional.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita, ambos alvos de ataques frustrados promovidos pelo braço da Al-Qaeda com base no Iêmen, observam com preocupação o levante, enquanto o país permanece num impasse político. Eles temem que a instabilidade dê mais espaço para que a Al Qaeda opere no país.

Mas os vizinhos ricos do Iêmen no Golfo e Washington até agora não se mostraram dispostos ou capazes de forçar Saleh a adotar um plano de transição. Alguns saudaram as propostas para um diálogo, mas a oposição política e os manifestantes das ruas prometeram resistir, insistindo na deposição de Saleh em meio ao caos crescente.

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