EFE/Andrés Cristaldo Benítez
EFE/Andrés Cristaldo Benítez

Oposição do Paraguai ameaça rejeitar diálogo proposto pelo presidente Cartes

Projeto de lei aprovado na sexta-feira que permite reeleição presidencial provocou diversos protestos e choques com a polícia

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2017 | 14h53

ASSUNÇÃO - Líderes da oposição no Paraguai se negaram nesta segunda-feira, 3, a integrar uma mesa de diálogo para solucionar a crise política no país enquanto o projeto de emenda constitucional que permitiria a reeleição no país não for retirado. O presidente, Horacio Cartes, não planejava participar da reunião.

O projeto de lei aprovado na sexta-feira 31 por uma maioria de 25 senadores para modificar a Constituição e permitir a reeleição presidencial provocou diversos protestos e choques com a polícia. Os manifestantes chegaram a incendiar parte do edifício do Congresso.

Um dos enfrentamentos entre civis e policiais resultou na morte do dirigente opositor Rodrigo Quintana, de 25 anos. Seis agentes foram detidos por responsabilidade no caso.

Cartes convocou no domingo 2, em uma mensagem televisionada, para uma mesa de diálogo os presidentes dos partidos políticos "com representação parlamentar", das duas Câmaras do Congresso, assim como representantes da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP). Apesar do convite, o presidente não pretendia participar da mesa de negociação, adiantou Hugo Velázquez, presidente da Câmara dos Deputados e militante do governista Partido Colorado. O vice-presidente, Juan Afara, representaria o chefe de Estado.

O monsenhor Edmundo Valenzuela, arcebispo e presidente da Conferência Episcopal Paraguaia, confirmou sua presença na reunião. “Antes de sentarmos para dialogar, os 25 senadores devem retirar o projeto de emenda porque sua análise e aprovação foram ilegais”, disse Robert Acevedo, presidente da Câmara de Senadores.

A CEP afirmou que reconhece o valor do convite de Cartes - que ainda não estipulou uma data para as conversas - “como resposta ao pedido do papa". Francisco pediu no domingo que se evite “toda a violência” e defendeu a busca por “soluções políticas” para os conflitos sociais no Paraguai e na Venezuela.

Efraín Alegre, líder e pré-candidato à presidência do Paraguai pelo Partido Liberal Radical Autêntico, o principal da oposição, afirmou que se Cartes não liderar a reunião, “a convocação parecerá uma piada”.

Além disso, Alegre disse que outra condição para comparecer à mesa de diálogo é que sejam tomadas medidas contra os comandantes policiais responsáveis pela operação no qual morreu Quintana.

Os senadores que rejeitaram a emenda constitucional se reuniram nesta segunda-feira com Luiz Benítez Riera, presidente da Corte Suprema de Justiça, e pediram a adoção de uma resolução sobre a inconstitucionalidade da decisão.

A Constituição vigente desde 1992 proibia a reeleição para um segundo mandato. Para alguns analistas, a rejeição está ligada à memória da ditadura do general Alfredo Stroessner, que se estendeu de 1945 a 1989. / ASSOCIATED PRESS e EFE

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