Oposição do Quênia cancela protestos; mortos já são 486

O líder da oposição queniana, RailaOdinga, anunciou na segunda-feira o cancelamento dos protestoscontra o governo enquanto ocorrer um "processo de mediação" nacrise política do país, que já provocou quase 500 mortes. "Recebemos garantias de que o processo de mediação está aponto de começar", disse Odinga a jornalistas depois de umareunião com a diplomata norte-americana Jendayi Frazer."Estamos portanto informando nossos seguidores em todo o paísde que não haverá comícios (na terça-feira)." O número de vítimas fatais nos conflitos pós-eleitoraissubiu para 486, e cerca de 255 mil pessoas tiveram de fugir dassuas casas, disse o governo na segunda-feira. É uma das piorescrises no Quênia desde o fim do domínio colonial britânico, em1963. A oposição acusa o governo de ter fraudado a votação quelevou à reeleição do presidente Mwai Kibaki, em 27 de dezembro. Embora a calma tenha sido restabelecida em quase todo opaís, surgiram em Uganda relatos de que 30 quenianos morreramafogados após serem perseguidos por agressores dentro de um riona fronteira. A polícia do lado queniano não confirmou anotícia. A crise abala a imagem do Quênia como reduto deestabilidade no leste da África e prejudica sua economia, amaior da região. Odinga, que completa 63 anos na segunda-feira, enfrentapressão internacional para não provocar mais violência, mas aomesmo tempo quer aproveitar o impulso político para deporKibaki. "Ninguém quer derramar sangue, mas a democracia não tematalhos", disse à Reuters Tony Gachoka, assessor do candidatoderrotado. O governo acusa Odinga de acirrar propositalmente asituação e perpetuar a turbulência. Alimentando a polêmica, a Ordem dos Advogados local pediuque Kibaki renuncie e convoque novas eleições. O presidente de Gana, John Kufuor, que também dirige aUnião Africana (UA), vai nesta semana ao Quênia para tentar umamediação entre Odinga e Kibaki. (Com reportagem de Bryson Hull, Radu Sigheti, HelenNyambura-Mwaura e Alistair Thomson)

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