Oposição do Quênia oferece acordo para partilhar o poder

Membro da oposição diz que as propostas envolvem a 'formação de um grande governo para ao menos dois anos'

BBC,

12 de fevereiro de 2008 | 15h21

A oposição do Quênia revelou nesta terça-feira, 12, que ofereceu um acordo para partilhar o poder com o presidente, Mwai Kibaki, em troca de novas eleições em 2010, segundo informações da BBC.    Veja também: Apesar de otimistas, negociadores pedem paciência no Quênia Entenda o conflito no Quênia    Willian Ruto, do Movimento Democrático Laranja (ODM), disse que as propostas envolvem a "formação de um 'grande governo' para pelo menos dois anos". O plano aponta para um novo rumo na oposição queniana, que insistia que só iria discutir um acordo para compartilhar o poder se Kibaki admitisse que teria fraudado as eleições.   Ruto afirmou que coalizão proposta deve reformar a constituição e a comissão eleitoral nos próximos dois anos, e planeja reconstruir as áreas destruídas pelos conflitos desde o início da crise, em dezembro. Ele também sugeriu a formação de uma comissão de justiça para cuidar das disputas que espalharam a violência no país.   O negociador do governo, Mutula Kilonzo, confirmou que o partido presidencial recebeu as propostas e deve debatê-las para "ver se podemos chegar a um acordo". Kilonzo disse ainda que a constituição em vigor no país permite ao presidente indicar membros da oposição para o seu gabinete.   ONU adverte especulações   O secretário geral da ONU, Kofi Annan, que está mediando as negociações, pediu por novas leis para resolver a crise. "Será difícil que uma pauta legislativa seja aprovada, então nós devemos ir rapidamente adiante com as questões importantes da reforma", disse Annan durante uma sessão parlamentar especial.   "A crise atual é um grande desafio, mas é também uma oportunidade para os líderes do Quênia levarem o país a um novo nível de estabilidade", acrescentou.   O secretário, no entanto, advertiu as especulações sobre as propostas que estão sendo discutidas e indicou que o acordo pode ser alcançado em três dias. Ele descreveu o grupo que faz as negociações como "equilibrado", e expressou sua confiança de que eles irão chegar a um acordo.   A oferta foi feita em conversas para resolução do conflito que começou após as eleições de dezembro, e que até agora já fez cerca de mil mortos e forçou mais de 600 mil pessoas a deixarem suas casas.   A violência gerada pelo resultado das eleições foram agravados pelo ódio racial entre membros da etnia de Kibaki e da de Odinga, abalando a imagem de um país antes tido como um estável centro empresarial, turístico e de transportes do leste africano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.